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Caso Master: sinais do início de crises bancárias são sutis, afirma especialista

Advogado empresarial explica como sinais técnicos, regulação e Justiça entram em cena

Brasília|Joice Gonçalves, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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Dono do banco Master foi preso por fraude Amanda Perobelli/Reuters - 18/11/2025

Antes de um caso envolvendo uma instituição financeira ganhar repercussão, como houve no Banco Master, há quase sempre uma fase silenciosa de alertas técnicos.

Segundo o advogado Leonardo Roesler, especialista em direito empresarial, o que acende o sinal amarelo não é um fato isolado, mas a combinação de indicadores fora do padrão, como problemas de liquidez, fragilidade do lastro, incoerências documentais e estruturas de captação pouco transparentes.


Esses sinais iniciais costumam ser percebidos primeiro por órgãos de controle, e não pelo mercado. Isso ocorre porque dados internos e rotinas de supervisão não são públicos e porque há cautela institucional para evitar divulgações prematuras que possam provocar corrida bancária. “A ausência de anúncio não significa ausência de atuação”, afirma Roesler. O protocolo tende a ser escalonado, com intensificação da supervisão e exigência de ajustes antes de medidas mais duras.

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Nesse processo, o Banco Central atua como supervisor, com o dever de proteger a estabilidade do sistema financeiro. A reação nem sempre é imediata, explica o especialista, porque depende de prova técnica consistente, respeito ao contraditório e avaliação dos efeitos sistêmicos. Intervenções precipitadas, sem base probatória suficiente, podem gerar judicialização e ampliar o risco.


Quando o caso chega ao Judiciário, há uma mudança de patamar. Passam a ser possíveis medidas que exigem reserva de jurisdição, como quebras de sigilo e buscas. Para Roesler, essa etapa não indica necessariamente falha anterior, mas aprofundamento da apuração, comum em investigações financeiras complexas.

A repercussão política no Congresso também é esperada, já que casos do setor afetam confiança pública e economia. O advogado pondera, porém, que o debate precisa preservar o caráter institucional. “Excesso de ruído pode elevar custos e contaminar a percepção de risco de instituições saudáveis”, diz.


Mesmo quando restrito a uma única instituição, o impacto se espalha pelo sistema, com reprecificação de risco e maior cautela dos investidores. O Brasil dispõe de mecanismos de contenção, como garantias ao depositante, mas episódios assim aumentam o escrutínio e reforçam a necessidade de aprimorar governança, rastreabilidade e supervisão.

“O equilíbrio é fundamental”, resume Roesler. “Tanto a omissão quanto o excesso regulatório podem produzir efeitos econômicos relevantes.”

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