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Comparsas de tocaia: como agia trio no DF acusado de aplicar substâncias letais em pacientes

Técnicos de enfermagem foram presos e são investigados pela morte de três pessoas

Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Três técnicos de enfermagem foram presos no DF, acusados de matar três pacientes na UTI de um hospital.
  • Marcos Vinícius, um dos técnicos, confessou ter aplicado medicamentos letais sem prescrição médica.
  • As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, reveladas após denúncia da direção do hospital.
  • Investigações apontam que os suspeitos tentavam despistar a equipe e gravaram vídeos das ações criminosas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues e Marcela Camilly trabalhavam como técnicos no Hospital Anchieta
Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues e Marcela Camilly trabalhavam como técnicos no Hospital Anchieta Reprodução/Material cedido ao R7

Os três técnicos de enfermagem presos no Distrito Federal pela suspeita de matarem três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital particular tentavam despistar os demais profissionais da unidade, segundo as investigações da Polícia Civil.

Quem comandava as ações era o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, que confessou à polícia ter aplicado medicamentos controlados sem prescrição médica de forma indiscriminada em ao menos três pacientes que estavam na UTI do hospital.


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Em uma das vítimas, Marcos Vinícius encheu mais de 10 seringas com desinfetante hospitalar e aplicou na veia da paciente.

Toda a ação era acompanhada pelas colegas Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22, que costumavam ficar de tocaia, na porta do quarto ou impedindo que funcionários e câmeras flagrassem o crime. Os três foram presos temporariamente na semana passada.


As três vítimas são o supervisor de manutenção da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) João Clemente Pereira, 63; o carteiro Marcos Moreira, 33; e a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75.

As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, mas o caso só veio à tona nesta semana após a Polícia Civil avançar nas investigações do caso. A corporação instaurou um inquérito ao receber uma denúncia da direção do próprio hospital, que desconfiou das circunstâncias dos óbitos.


Desinfetante na veia

De acordo com informações do delegado responsável pela investigação, Mauricio Iacozzilli, Marcos Vinícius usava um computador dos médicos para prescrever medicamentos perigosos e conseguir as substâncias na farmácia da UTI.

Em um dos casos, ele preparou o medicamento e guardou em seu bolso, ao lado de Marcela Camilly.


“Logo em seguida, ele vai até um desses leitos que estava a vítima e faz quatro aplicações com essa medicação. Em cada aplicação, a vítima teve uma parada cardíaca quase que imediata, cerca de 10 a 15 segundos depois. A equipe conseguiu ressuscitar a vítima por quatro vezes”, conta o delegado.

“Ela [Marcela Camilly] via ele aplicando a medicação, e segundos depois as vítimas tendo as paradas cardiorrespiratórias. E ela tinha conhecimento que essa medicação causava isso. Então, a omissão dela foi essencial para que esses crimes ocorressem”, destaca.

Com o fim do remédio, Iacozzilli conta que Marcos Vinícius foi até a pia do leito, pegou um desinfetante hospitalar e encheu mais de dez seringas para aplicar na vítima, que não resistiu.

Colega tentou esconder ação de Marcos Vinícius

Relatos de testemunhas do hospital dizem que a outra suspeita, Amanda Rodrigues de Sousa, tinha uma relação de amizade muito próxima com Marcos.

Os dois trabalhavam em setores diferentes, mas em duas dessas três mortes, Amanda estava com o técnico enquanto ele aplicava a medicação.

“Inclusive, os vídeos mostram ela olhando para a porta para ver se alguém está se aproximando. Uma hora ela fica na frente [da câmera] enquanto ele [Marcos Vinícius] aplica, para tapar o visual do que ele estava fazendo”, diz Iacozzilli.

Confrontado pela polícia com as imagens, Marcos deu duas versões. Primeiro, ele disse que o dia estava cansativo. Depois, afirmou que agiu para “aliviar o sofrimento” das vítimas.

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