‘Corre o risco de prejudicar a indústria nacional’, diz especialista sobre acordo Mercosul-UE
Ainda segundo Ronaldo Félix, grande desafio inicial será ‘destravar os principais portos brasileiros’; veja análise
Brasília|Do R7, com RECORD NEWS
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na véspera da assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, no Paraguai. Mesmo com a assinatura, o tratado comercial precisará ser aprovado pelos parlamentos nacionais e europeu.
Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior, explica que, após a assinatura, se inicia o momento de renegociação dos contratos já existentes, além da assinatura de novos acordos para a compra e venda de produtos, com uma possível vantagem o agro e o aço semiacabado brasileiros, que atingem poucos mercados atualmente. No entanto, ele pontua que o aumento dos envios de itens exigem uma série de adaptações, principalmente logísticas, para o escoamento de produtos.

“Todas as exportações de volumes altos, eles usam o modal marítimo, então a gente precisa trabalhar bastante para poder destravar os nossos principais portos, não só dentro dos portos, mas também nas vias de acesso, sejam elas no rodoviário quanto no ferroviário, que é justamente o modal que a gente vai precisar trabalhar demais se a gente quiser manter e aumentar, expandir essas exportações para a União Europeia. Hoje já é um gargalo muito grande”, comenta.
Em entrevista ao Conexão Record News desta sexta-feira (16), Félix destaca que, apesar dos possíveis problemas logísticos, o Brasil e o Uruguai podem contar com uma vantagem, por possuírem processos de fabricação com critérios rigorosos de qualidade e rastreabilidade exigidos pelo órgão europeu. No entanto, ele alerta a necessidade dos países saberem proteger suas indústrias nacionais para evitar uma concorrência desleal com os produtos de fora.
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“Então é bom por um lado, a gente vai começar a prestar e oferecer produtos de melhor qualidade, produtos que muitas vezes o povo brasileiro não consome por conta do custo, mas a gente corre o risco também de prejudicar a nossa indústria nacional, tendo em vista a necessidade não só de manter, mas como ampliar o nosso parque industrial para a gente gerar valor dentro do próprio país”, recomenda.
O especialista ressalta que o acordo deve durar por anos, dependendo apenas da manutenção dos membros para que isso aconteça. Porém, ele ilustra a necessidade de cada lado ceder um pouco em alguns momentos de negociações para o tratado possuir um equilíbrio e ser duradouro.
“A gente não pode manter uma balança comercial sadia para ambos os lados, onde nenhum dos lados vai se sentir lesado, a gente tende a manter esse acordo por muito tempo, podendo até dizer que sem um prazo determinado. A balança comercial vai ser determinante na manutenção ou não, o equilíbrio é o desejável” completa.
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