Brasília CPI: ex-secretário da Anvisa diz que trabalhou informalmente na Saúde

CPI: ex-secretário da Anvisa diz que trabalhou informalmente na Saúde

José Santana disse que foi convidado a trabalhar no ministério pelo ex-diretor de Logística Roberto Dias, do suposto "chope da propina"

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

O ex-secretário-executivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) José Ricardo Santana afirmou nesta quinta-feira (26/8), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que deixou a agência para trabalhar no Ministério da Saúde a convite do ex-diretor de Logística (DLOG) Roberto Ferreira Dias, suspeito de pedir propina em uma negociação de vacinas contra covid-19.

Santana, que recebia salário na Anvisa, disse que chegou a trabalhar de maneira informal no ministério por cinco semanas, começando em 25 de março do ano passado. Quando sua nomeação não saiu, ele afirmou que deixou de atuar pela pasta.

O ex-secretário era um dos presentes no jantar em um restaurante em Brasília em que o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais (PM-MG) Luiz Paulo Dominghetti, apontado como vendedor autônomo de vacina contra covid-19 da empresa americana Davati Medical Supply, disse ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina. Ele tentava vender 400 milhões de unidades da Astrazeneca.

Pelas apurações da comissão, os senadores acreditam que Dominghetti não tinha vacinas para oferecer e que a Astrazeneca não comercializa por meio de intermediários. Os senadores questionam Santana, principalmente, sobre suas relações com pessoas do Ministério da Saúde, em especial Roberto Dias, assim como com pessoas que envolvem a Precisa Medicamentos, como o sócio Francisco Maximiano, que já prestou depoimento à CPI.

A Precisa fechou um contrato com o ministério de R$ 1,6 bilhão para venda de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech. Sobre a empresa, Santana não quis responder a uma série de perguntas, dizendo que exerceria seu direito de permanecer em silêncio sobre fatos que pudessem incriminá-lo, como prevê decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele admitiu, entretanto, conhecer Maximiano.

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