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‘Crime organizado é questão de Estado’: Fachin anuncia rede de juízes especializados

Ministro do STF chama atenção de que 30 milhões de brasileiros vivem sob domínio de facções e exige reação do Judiciário

Brasília|Gabriela Coelho, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O presidente do STF, Edson Fachin, anunciou a criação da Rede Nacional de Magistrados Especializados em Organizações Criminosas.
  • Ele destacou que 30 milhões de brasileiros vivem sob o domínio de facções e que o combate ao crime organizado é uma questão de estado.
  • Fachin ressaltou a necessidade de um Judiciário eficiente para garantir a realização de investigações e condenações adequadas.
  • O ministro defendeu a utilização de provas digitais e a especialização de magistrados como medidas essenciais no combate ao crime organizado.

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Fachin falou sobre a responsabilidade do Judiciário diante do crime organizado Antonio Augusto/STF - 20.03.2026

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (23) que o combate ao crime organizado passou a ser uma questão central para o Estado brasileiro.

A declaração ocorreu no Encontro Nacional sobre os Desafios do Poder Judiciário ante o Crime Organizado, evento promovido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).


Segundo o ministro, a segurança pública está diretamente ligada ao funcionamento do Estado de Direito e exige atuação efetiva do sistema de Justiça. Ele destacou o papel do Judiciário nesse cenário, diante de desafios históricos na área.

“Combater o crime organizado tornou-se hoje uma questão de Estado no Brasil”, afirmou, ao dizer que ainda nesta segunda vai se encontrar com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, para discutir a lavagem de dinheiro por parte de facções.


A principal novidade anunciada por Fachin é a criação da Rede Nacional de Magistrados com Competência Especializada em Organizações Criminosas.

A proposta, que deverá ser votada durante o encontro, visa conectar juízes de todo o país para trocar experiências, desenvolver padrões comuns de trabalho e criar canais permanentes de cooperação.


O próprio mapeamento do CNJ revelou a fragilidade do modelo atual: há varas únicas especializadas em alguns tribunais, juízos colegiados em outros e, em grande parte do território nacional, nenhuma forma de especialização.

“Não se trata de centralizar, uma vez que a descentralização é uma força, não uma fraqueza. Trata-se de conectar, de forma que o conhecimento construído em uma comarca da região Nordeste possa, sem demora, alcançar os magistrados e magistradas que lidam com situações análogas no Sul ou no Centro-Oeste”, disse o ministro.


Papel do Judiciário

Fachin ressaltou que o Judiciário não pode ocupar posição periférica diante dessa realidade. Além da função de julgar, deve colaborar na formulação de estratégias de segurança pública e participar da avaliação das políticas.

“Sem um Judiciário eficiente, a investigação não se completa, a condenação não se sustenta, e a recuperação de ativos não se consolida”, afirmou.

Dados do Painel Nacional do Crime Organizado, elaborado pelo CNJ, revelam que em 2025 havia 12.448 ações penais pendentes envolvendo organizações criminosas. O número de novos processos cresceu quase 160% em cinco anos, passando de 2.607 em 2020 para 6.761 em 2025.

Fachin chamou atenção para os chamados maxiprocessos, que envolvem múltiplos réus e representam tanto um instrumento de responsabilização coletiva quanto um desafio para a duração razoável dos julgamentos.

Provas digitais

Entre os pontos centrais do discurso, o ministro defendeu medidas como maior uso de provas digitais, fortalecimento da investigação patrimonial e especialização de magistrados.

“Privar as organizações criminosas dos frutos de seus crimes é, talvez, a medida mais eficaz de desestruturação de sua capacidade operacional”, disse.

Outro aspecto destacado foi a relação entre facções e o sistema prisional. Fachin lembrou que a expansão das principais organizações ocorreu dentro das unidades de custódia, onde falhas de controle e ausência de separação entre grupos facilitaram o fortalecimento das estruturas criminosas.

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