Defesa de Adriana Villela diz ter álibi que inocenta filha de ex-ministro do TSE, morto em triplo-homicídio
Advogado apresentou recurso de 400 páginas com percurso da principal acusada do crime
Brasília|Paulo Mondego, do R7

Dois dias antes do crime da 113 sul completar quatro anos sem um desfecho, a defesa da arquiteta Adriana Villela, principal acusada de mandar matar os pais e a empregada no apartamento na Asa Sul, região central de Brasília, recorreu à Justiça na segunda-feira (26) para provar que ela é inocente.
A investigação do assassinato do ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) José Guilherme Villela, 73 anos; da mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos; e da empregada da família Francisca Nascimento Silva, foi marcada por muitas reviravoltas e erros no inquérito elaborado pela PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal).
Desde que foi apontada como a principal suspeita pelo crime, Adriana falou poucas vezes com a imprensa e hoje vive no Rio de Janeiro, onde começou a faculdade de Direito. Ela chegou a ficar 19 dias presa, mas foi solta por ser ré primeira, não ter antecedentes criminais e ter comparecido a todas as audiências em que fora convocada.
De acordo com o criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakai, o recurso de mais de 400 páginas reúne provas de que a sua cliente não esteve no local do crime no dia do triplo-homicídio, em 28 de agosto de 2009, conforme apontou a acusação.
— Na verdade tivemos que fazer uma desconstrução de todas as afirmações da acusação. Portanto, fizemos mais do que uma simples defesa. Nós produzimos uma prova técnica para derrubar os pseudos indícios colocados.
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Kakai se refere aos documentos que apresentou à Justiça que, segundo ele, mostram o percurso de Adriana no dia do crime. Entre eles, um e-mail que a arquiteta teria enviado para uma amiga usando o computador de casa na hora em que o crime teria ocorrido, por volta das 21h.
Outra prova juntada ao processo é um comprovante de compra que Adriana teria feito horas antes do crime. Kakai afirmou que todos os documentos são legais e dão conta de que a cliente nunca esteve na cena do crime, tampouco mandou matar os pais e a empregada.
Prova contestada
A contestação da única prova material que ligaria Adriana Villela a cena do crime pode ajudar na defesa da arquiteta. O laudo das supostas digitais de Adriana coletadas dentro do apartamento um ano após o crime foi derrubado pelo ICC (Instituto de Criminalista). Segundo os especialistas, não há como provar que aquelas digitais eram da filha do casal assassinado.
Além de Adriana, mais três pessoas foram indiciadas pelo triplo-homicídio. Leonardo Campos Alves, que era porteiro do prédio onde o casal morava, o sobrinho dele Paulo Cardoso Santana e Francisco Mairlon Barros estão presos e respondem por terem sido apontados como executores dos assassinatos.
A Justiça já definiu que Leonardo Campos e Francisco Mairlon vão a júri popular em dezembro deste ano. Já Adriana Villela e Paulo Cardoso não têm previsão de serem julgados já que as respectivas defesas entraram com recurso.
Amigos da arquiteta chegaram a criar um blog em apoio a ela. Na página amigosdeadrianavillela.wordpress.com, ainda é possível ver os depoimentos de pessoas que acreditam na inocência de Adriana. A filha dela, Carolina Villela, que encontrou os avós mortos no apartamento, passou em um concurso público e é policial civil.
Reviravoltas
Segunda a Justiça, vários erros durante as investigações comprometeram a elucidação do crime. O caso começou a ser investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), então comandada pela delegada Martha Vargas. Em uma das diligências, ela afirmou ter consultado uma vidente para encontrar respostas sobre quem teria matado o casal Villela e a empregada.
A direção da PCDF afastou Martha Vargas e entregou a investigação à Corvida (Coordenação de Crimes Contra a Vida) dirigida pela delegada Mabel de Farias. Ela indiciou Adriana Villela como a mandante do crime.
Três meses depois, os três acusados de cometerem o triplo-homicídio com 78 facadas foram presos após apuração paralela da 8ª Delegacia de Polícia (SIA), comandada pela delegada Déborah Menezes.
Um ano após o assassinato, a polícia não sabia se o crime tinha sido latrocínio (roubo seguido de morte) ou crime encomendado. Os três acusados confessaram o crime em vários depoimentos, mas voltaram atrás e alegaram que foram torturados para assumir a autoria do assassinato.
Em abril deste ano, a defesa de Adriana, afirmou que os investigadores foram orientados pela direção da PCDF a registrar o crime como latrocínio, roubo seguido de morte. Segundo Kakay, esta versão facilitaria a condução do caso que manchou a imagem da corporação.
Na época, a Polícia Civil do DF informou que “o indiciamento realizado foi um ato técnico privativo da autoridade policial que presidiu a investigação, a qual diante dos elementos apurados indicou as pessoas sobre as quais convergiam os indícios de autoria e materialidade do delito.” A nota ressaltou ainda que o indiciamento de Adriana Villela foi confirmado pelo MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Território), por meio da denúncia.














