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Defesa pede que sargento que atuou na equipe de Mauro Cid seja solto por contrair herpes-zóster

Luis Marcos dos Reis está preso preventivamente desde 3 de maio; ele integrava a equipe de ajudância do ex-presidente Jair Bolsonaro

Brasília|Ana Isabel Mansur e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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Reis está preso desde maio
Reis está preso desde maio

A defesa do sargento Luis Marcos dos Reis pediu a Alexandre de Moraes, nesta segunda-feira (11), que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) tenha a prisão preventiva revogada. O militar atuava na equipe de Mauro Cid, na Ajudância de Ordens do ex-presidente. Ele está preso desde 3 de maio por envolvimento em suposta fraude em cartões de vacinação. Cid foi detido na mesma operação, mas foi liberado no último sábado (9).

Os defensores de Reis afirmam que o sargento adoeceu por conta da detenção. "A prisão, a essa altura já ilegal, tem trazido prejuízos ao investigado, em especial, a sua saúde física, pois acabou desenvolvendo, no quartel onde está preso, herpes-zóster, doença viral infecciosa e especialmente lesiva, que pode se tornar crônica sem o tratamento adequado", destacam. O laudo médico, contudo, não foi divulgado pela defesa.


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O pedido de soltura é endereçado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os advogados destacam que não há risco de condutas do militar influenciarem as investigações. Eles alegam que a prisão de Reis é "excessiva e ilegal" e pedem a revogação, "podendo, se for o caso, haver imposição de medidas cautelares alternativas".

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Os advogados usam a decisão do ministro que soltou Cid como embasamento. "Ao decidir pela liberdade provisória ao investigado Mauro Cid, Vossa Excelência destacou o avanço das investigações, com o encerramento de inúmeras diligências pela Polícia Federal", declaram.


Cid teve um pedido de liberdade provisória concedido por Moraes após assinar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A defesa de Reis destaca ainda que os crimes investigados teriam ocorrido "já no distante ano de 2021, no cenário político do governo Bolsonaro".

Movimentação atípica na conta-corrente

O sargento movimentou em suas contas R$ 3,34 milhões entre 1º de fevereiro de 2022 e 8 de maio deste ano. Com salário de R$ 13,3 mil, ele recebeu dezenas de depósitos e repassou parte dos recursos ao tenente-coronel Mauro Cid, seu chefe e principal auxiliar de Bolsonaro.


Juntos, os dois militares movimentaram cerca de R$ 7 milhões. Os dados são do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e foram enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro. Segundo o Coaf, os repasses de recursos de Reis para Cid, incompatíveis com a renda do militar, foram considerados como indícios de possível lavagem de dinheiro.

Em depoimento à CPMI, em 24 de agosto, Reis afirmou que as movimentações são justificadas pela existência de um "consórcio entre colegas". "A gente de situação financeira mais baixa começou em um consórcio", alegou. Ele também disse que o dinheiro tem relação com a aposentadoria da carreira como militar e empréstimos que pediu a pessoas próximas e familiares.

Atos extremistas

Durante o depoimento à CPMI, Reis admitiu ter ido à Esplanada em 8 de janeiro e subido a rampa do Congresso, ato que definiu como "impensável", e disse estar arrependido. No entanto, ele negou ter entrado nos prédios públicos e participado de depredações. "Não financiei, planejei, coordenei, estimulei, instruí ou dei suporte ou tomei parte de qualquer ato preparatório ou executório [para os atos extremistas]", disse.

Em mensagens de áudio enviadas em 8 de janeiro e interceptadas pela Polícia Federal, o sargento comemora as invasões e diz ter sido "bonito aqui", que "o recado foi dado" e que, na invasão dos prédios, se "quebrou, arrancou as togas lá daqueles ladrões". As mensagens foram citadas por parlamentares durante o depoimento do militar.

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