Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Deputados, senadores e ministros comemoram aprovação da reforma tributária

Proposta que muda o sistema tributário do país foi aprovada pela Câmara nesta sexta-feira; texto vai a promulgação

Brasília|Hellen Leite e Laísa Lopes, do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Texto ficou em discussão no Congresso por 30 anos
Texto ficou em discussão no Congresso por 30 anos

Parlamentares e membros do governo comemoraram nesta sexta-feira (15) a aprovação do texto da reforma tributária na Câmara dos Deputados. A proposta de emenda à Constituição teve o aval da maioria dos deputados, em dois turnos, e vai a promulgação, o que deve acontecer na próxima semana. A matéria, que estava em discussão no Congresso havia 30 anos, reformula o sistema tributário brasileiro, que passará a ter três impostos em vez de cinco.

Após a votação, o relator da proposta na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que o projeto garante uma solução moderna, simplificada e com segurança jurídica. "Vivemos um momento histórico, contrariando os que não acreditavam, apresentando uma proposta completa. Vamos em frente, porque ainda não acabou", disse.


Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp

Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp


Compartilhe esta notícia pelo Telegram

Assine a newsletter R7 em Ponto


Nos últimos dias, Aguinaldo trabalhou em acordos com líderes partidários e com o relator da proposta no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), na tentativa de construir um texto consensual entre as duas Casas.

Para o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), "o Brasil ganha com essa reforma tributária, que eu, de longa data, costumo dizer que é a mãe de todas as reformas".


Só a simplificação%2C a união de vários impostos em dois impostos apenas%2C os impostos sobre o consumo%2C vai ser um ganho significativo na burocracia. Nós vamos ganhar muito com segurança jurídica%2C previsibilidade%2C competitividade e%2C eu não tenho dúvidas%2C com geração de emprego.

(deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), vice-presidente da Câmara)

Eduardo Braga também comemorou a aprovação e destacou a preservação do regime especial para a Zona Franca de Manaus (ZFM) no texto. "Em acordo costurado nesta sexta, garantimos a competitividade da principal plataforma econômica do Amazonas. Uma vitória para todos os brasileiros e, em especial, para os amazonenses", disse.

O autor da proposta da reforma tributária (PEC 45/19), deputado Baleia Rossi (MDB-SP), disse que a aprovação do novo sistema "recoloca o Brasil nos trilhos do crescimento econômico sustentável". "Vamos ter justiça tributária. O pobre vai pagar menos impostos, temos zero impostos na cesta básica e medicamentos", disse.

"Hoje é um dos dias em que a história acontece diante dos nossos olhos", afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nas redes sociais. "Deixaremos para trás o emaranhado de impostos confusos, custosos e, muitas vezes, injustos para um modelo claro, que todos compreendam, mais justo e simplificado."

"Um dia de vitória para o Brasil! Nesse dia histórico, o Brasil ganhou com a Reforma Tributária uma legislação moderna", escreveu o deputado federal José Guimarães (PT-CE).

"Conseguimos garantir a inclusão, na reforma tributária, a equiparação salarial entre os auditores federais, estados e grandes cidades. Essa medida valoriza os servidores destas carreiras que são os primeiros a operacionalizar essa reforma tributária", defendeu o deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE).

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, comentou nas redes sociais que o país "vai abandonar o caos fiscal que atrasava o crescimento da nossa economia". "O Brasil adota um sistema moderno e simples, já utilizado por mais de 100 países", completou.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que "o Brasil amadureceu". "[O Brasil] sabe que precisava enfrentar essa agenda, que é a mais importante das reformas, porque organiza o sistema produtivo, coloca o Brasil no compasso do que tem de mais moderno no mundo. Eu penso que, pelo que eu ouvi dos senadores, o texto-base aprovado na Câmara será promulgado ainda este ano."

A Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo afirmou que a aprovação da medida "abre uma nova janela de oportunidades para o Brasil". Para o presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o primeiro passo histórico foi dado.

"É o primeiro movimento em direção a simplificação, instituição do IVA e fim da cumulatividade. Precisamos ser rápidos na implementação das medidas e outros passos precisamos dar. Nunca esquecer da Reforma Administrativa tão importante para aumentar nossa competitividade", ressaltou.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que o país passará a ter "um sistema tributário mais moderno, transparente e alinhado às melhores práticas internacionais, simplificando a vida de quem gera emprego e renda no Brasil".

O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a mudança no sistema tributário trará ganhos com mais crescimento econômico e mais empregos.

"O novo sistema de tributos sobre o consumo vai eliminar distorções que reduzem a competitividade da indústria, como a cumulatividade, o acúmulo de créditos tributários, a oneração dos investimentos e das exportações e os custos para calcular e pagar os tributos. O Brasil vai crescer mais, com mais indústria. É uma excelente mudança, principalmente neste momento em que o país discute como promover a neoindustrialização da economia brasileira", afirmou.

A reforma tributária

A reforma tributária foi votada e aprovada na Câmara dos Deputados em 7 de julho e pelo Senado em 8 de novembro. Como o texto foi alterado pelos senadores, precisou voltar à análise dos deputados, que se debruçaram sobre os pontos modificados. 

A essência da proposta foi mantida, que é a simplificação de tributos. O texto prevê a substituição de cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por três: Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto Seletivo (IS). A proposta também prevê isenção para produtos da cesta básica e uma série de outras medidas.

No Senado, alguns pontos do texto foram modificados, como a inclusão de uma trava para a carga tributária, a revisão dos regimes especiais de tributos e a ampliação do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), que vai ser criado para compensar as perdas dos estados com o fim do ICMS. O fundo passou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões por ano a partir de 2043 e deverá ser usado para incentivar o desenvolvimento de regiões mais pobres.

Outros pontos adicionados pelos senadores foram suprimidos pelos deputados. Como, por exemplo, a previsão de regime especial de incentivo fiscal para a produção de peças de carros elétricos. Por outro lado, os deputados mantiveram no texto a prorrogação dos benefícios fiscais a empresas automobilísticas do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste até 2032.

Pelo relatório, o benefício ficou condicionado à realização de investimentos em pesquisa e inovação tecnológica. Além disso, o benefício terá regressão progressiva, com a manutenção dos níveis atuais, até o ano de 2025, e a redução de 20% por ano, de 2029 a 2032.

Veja outros pontos modificados no texto

• Zona Franca de Manaus: um dos pontos mais sensíveis do texto tinha a ver com a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para a Zona Franca de Manaus. A possibilidade foi retirada do texto, por acordo entre a Câmara e o Senado, e a Cide foi substituída pela aplicação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) específico para a Zona Franca de Manaus.

• Regimes de exceções: a Câmara retirou a possibilidade de desoneração na aquisição de medicamentos e dispositivos médicos por entidades de assistência social sem fins lucrativos. A cesta básica estendida, que teria alíquota reduzida em 60%, além de cashback para a população mais vulnerável, também foi retirada do texto.

• Comitê Gestor do IBS: pelo texto aprovado, o Senado não vai ser o responsável por sabatinar o indicado para presidir o Comitê Gestor do IBS. Com isso, o nome assumirá a função sem passar pelo crivo do Congresso. Já a fiscalização do comitê não será feita em conjunto com Assembleias nem Câmaras Legislativas, apenas pelos tribunais de contas, por meio de órgão colegiado.

• Saneamento básico: os deputados retiraram do texto a possibilidade de incluir o setor de saneamento e de concessão de rodovias em regime específico. Agora, o setor volta a figurar na regra do Imposto Seletivo.

• Teto remuneratório dos auditores fiscais estaduais: os deputados decidiram incluir no texto o trecho do Senado que permite que os auditores fiscais tenham o teto remuneratório equiparado ao teto dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A possibilidade não estava no texto da Câmara e foi incluída durante a discussão no Senado. Nesse caso, os deputados preferiram a versão do senador Eduardo Braga. Atualmente, a remuneração dos ministros do STF é de R$ 41.650,92. A partir de 2024, o valor passará a ser de R$ 44.008,52.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.