Brasília Diretor da PRF vira réu em denúncia por atuação durante as eleições

Diretor da PRF vira réu em denúncia por atuação durante as eleições

Silvinei Vasques responde por improbidade administrativa pelo uso indevido do cargo, segundo denúncia do MPF

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF, vira réu por improbidade

Silvinei Vasques, diretor-geral da PRF, vira réu por improbidade

Reprodução/SINPRF Paraná

O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, virou réu por improbidade administrativa após a Justiça do Rio de Janeiro acolher uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal do Rio.

De acordo com a decisão do juiz da 8ª vara federal do Rio, Jose Arthur Diniz Borges, o réu tem 30 dias para apresentar a defesa. Somente após o período é que o magistrado vai decidir sobre o afastamento do cargo, outro pedido feito pelo MPF na mesma denúncia. 

Na ação, o ministério argumenta que Vasques fez uso indevido do cargo, com desvio de finalidade, durante a campanha eleitoral ao promover o presidente Jair Bolsonaro (PL). O órgão completa que foram usados símbolos e imagem da instituição policial com o objetivo de favorecer o candidato.

O procurador da República Eduardo Benones, autor da ação, contextualiza a alegação às investigações das supostas ações policiais no dia do segundo turno com uso de um efetivo acima do usual e a “inação durante os bloqueios das estradas após a divulgação do resultado”.

“Não é possível dissociar que as condutas do requerido, especialmente na véspera do pleito eleitoral, tenham contribuído sobremodo para o clima de instabilidade e confronto instaurado durante o deslocamento de eleitores no dia do segundo turno das eleições e após a divulgação oficial do resultado pelo TSE. Afinal, a figura fardada do Diretor-Geral é simbólica”, diz Benones.

Na avaliação do MPF, Vasques usou a PRF fazendo uma “verdadeira propaganda político-partidária”. Um dia antes do segundo turno, o diretor postou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Bolsonaro, pedindo votos ao candidato. Após repercussão negativa, ele apagou a publicação.

Vasques foi alvo de outra ação protocolada por parlamentares junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), mirando o afastamento. A vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, solicitou ao Supremo a rejeição do pedido, alegando falta de legitimidade processual. 

A Polícia Federal também abriu um inquérito para avaliar a conduta do diretor-geral.  O foco da investigação, de acordo com fontes ouvidas pelo R7, é verificar se Silvinei foi omisso em relação a eventuais abusos da corporação durante o segundo turno das eleições deste ano.

Questionada pela reportagem, a PRF disse acompanhar "com naturalidade a determinação de citação ao diretor-geral [...], uma vez que é o procedimento normal após representação formulada pelo órgão ministerial". "Saliente-se que o magistrado não acatou o pedido formulado pelo órgão ministerial de afastamento imediato do diretor-geral, sem a manifestação da parte contrária."

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