Discord implementa novas políticas de restrição de idade
Plataforma determina que adolescentes acima dos 13 anos deverão comprovar idade para acesso a determinadas áreas
Brasília|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Discord anunciou nesta terça-feira (10) a adoção de novas medidas focadas na segurança de adolescentes usuários no aplicativo. O foco será na restrição de determinadas áreas com base em idade e em mais privacidade.
A partir de agora, adolescentes acima dos 13 anos precisarão comprovar idade para acessar certas áreas e configurações. O usuário poderá optar pela verificação via foto ou documento com data de nascimento.
As novas regras surgem frente à escalada de violência no Discord por grupos de ódio e extremistas. Para especialistas, apesar de reduzir danos, a manobra ainda é insuficiente para conter a raiz do problema.
Perigo digital
Discord é uma plataforma que se destaca pelas interações variadas via chat e vídeo, como o compartilhamento de tela, a criação de grupos privados e a possibilidade de acompanhar “ao vivo” a atividade de outros usuários.
Para o advogado Alan Januário, o perigo do aplicativo reside na alta capacidade de mobilização e na sensação de anonimato.
“A busca por conteúdos de violência extrema sempre fizeram parte da internet, mas sua difusão inegavelmente foi ampliada por sites como o Discord, sobretudo porque inexiste até o momento um mecanismo rápido e eficaz de impedir a veiculação destes vídeos”, afirma.
A estratégia dos grupos de ódio segue uma linha parecida ao redor do mundo, com a cooptação de potenciais membros sendo por meio de redes sociais e fórums.
Para a psicóloga infantil Maria Izabel Rosa, há mais camadas do que somente o perigo: crianças e adolescentes em tais contextos podem colocar em risco seus desenvolvimentos psíquico, emocional, social e moral.
Segundo a psicóloga, um fator chave no aliciamento de jovens para grupos violentos é a sensação de pertencimento, validação e identidade oferecida nestes espaços. Quando ocorre em grupos pautados em ódio, cresce o risco da banalização de violência e de perda de referências éticas e emocionais.
“Crianças e adolescentes ainda não possuem maturidade neurológica suficiente para avaliar perigos, identificar manipulações, lidar com discursos de ódio, estabelecer limites, controlar impulsos e avaliar consequências e isso os torna mais vulneráveis à influência desses grupos de Discord.”
Poucas mudanças
O fenômeno de crianças de pouca idade já conectadas à internet é proeminente no Brasil. Um estudo feito pelo Cetic.br revela que o número de brasileiros de até 8 anos em posse de celulares e com acesso à internet dobrou nos últimos dez anos, o que torna o perigo virtual uma preocupação cada vez mais precoce.
Na visão dos especialistas, a busca por frear a onda de violência na plataforma deve ser feita a partir de uma atuação conjunta entre a própria plataforma e políticas públicas de cada país.
Para o psicólogo infantil Miguel Bungue, o primeiro passo para o Brasil deve ser a responsabilização da plataforma quanto à moderação de conteúdos ilícitos e à cooperação com autoridades.
Em outra medida, defende a ampliação do suporte psicológico na rede pública de ensino, visto que um traço frequente tanto em jovens vítimas quanto em jovens agressores envolvidos em tal contexto é a presença de distúrbio ou instabilidade emocional.
Papel dos responsáveis
No caso de famílias que não dispõem de tanto tempo para um acompanhar o uso da internet pelas crianças, especialistas recomendam ao menos verificações periódicas nas redes, como uma vez por semana ou duas vezes ao mês.
“Conversas frequentes sobre comportamento digital, respeito, privacidade e limites são mais eficazes do que vigilância constante” é a orientação do professor e diretor pedagógico Gabriel Carvalho, que salienta a importância da figura do responsável enquanto alguém de confiança.
A psicóloga Maria Izabel reforça que não existe fórmula pronta para regrar o uso da internet por uma criança, mas que é essencial a determinação de um limite, que pode envolver medidas como: estabelecer horários para o uso das telas, manter os dispositivos fora do quarto pela noite e saber quais plataformas a criança acessa.
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