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Disney, ‘Sicário’ e milícia privada: entenda em 7 pontos a decisão para prender Daniel Vorcaro

André Mendonça detalhou organização com cooptação no Banco Central, venda de títulos falsos e estrutura de intimidação

Brasília|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A prisão de Daniel Vorcaro é resultado da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema financeiro fraudulento.
  • O ministro André Mendonça descreveu uma organização com divisão de tarefas e cooptação de servidores do Banco Central.
  • Interceptações mostram articulações de Vorcaro com funcionários do BC e ordens de intimidação contra jornalistas e funcionários.
  • Há indícios de ocultação de mais de R$ 2 bilhões e um potencial impacto financeiro de R$ 40 bilhões no sistema.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Segundo Mendonça, Daniel Vorcaro era o chefe do suposto grupo criminoso Reprodução/YouTube/Esfera Brasil - 22.04.2024

A prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, marcou nova etapa na apuração de um suposto esquema destinado a driblar regras do sistema financeiro nacional. Diante desse cenário, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, autorizou o avanço da terceira fase da Operação Compliance Zero.

A decisão, divulgada na quarta (4), descreve uma organização com divisão de tarefas, atuação no sistema financeiro, cooptação de servidores do Banco Central e um grupo apelidado de “A Turma”, apontado como milícia privada.


Confira o despacho do ministro em sete pontos.

1. Como funcionava a estrutura

Segundo a investigação, havia quatro núcleos. Veja o infográfico:


Banco Master: os núcleos apontados pela Operação Compliance Zero Arte/R7

2. O papel de Daniel Vorcaro

A decisão aponta Vorcaro como líder do grupo e gestor do esquema de captação fraudulenta. O texto também atribui a ele articulação com servidores do BC e emissão de ordens diretas para ações de intimidação.

Ele tinha sido preso em novembro do ano passado, mas deixou a cadeia usando tornozeleira eletrônica e proibido de manter contato com outros investigados.


Apesar disso, a investigação indica que Vorcaro continuou com as atividades ilícitas, ocultando ao menos R$ 2 bilhões.

3. Servidores do BC sob suspeita

Dois nomes aparecem no núcleo institucional: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, então chefes no Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.


Interceptações mostraram troca frequente de mensagens dos dois com Vorcaro.

Entre os pontos citados estão:

  • Sugestões sobre postura em reuniões com o presidente do Banco Central;
  • Revisão de minutas de ofícios antes do envio formal ao próprio órgão;
  • Grupo de mensagens para discutir estratégias regulatórias;
  • Alerta antecipado sobre movimentações detectadas pelos sistemas de monitoramento.

Há referência a contratos simulados por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial para formalizar repasses.

Em diálogos, constam menções a pagamento da “primeira do Belline” e cobranças de valores.

4. Viagem para a Disney entra na decisão

O despacho cita vantagem indevida ligada a uma viagem internacional.

Paulo Sérgio informou Vorcaro sobre ida com familiares a parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos. Em mensagem, o empresário afirmou: “Arrumar guia para essas pessoas”.

Na sequência, houve acionamento para garantir serviço de guia privado durante a estadia nos Estados Unidos.

O ministro considerou o episódio indício de benefício pessoal vinculado à relação entre fiscalizador e instituição financeira.

5. ‘Sicário’ e a milícia privada

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”, aparece como coordenador operacional de “A Turma”.

O apelido, segundo a decisão, é “indicativo da natureza de suas atividades”.

Sicário é um termo usado para designar uma pessoa que comete homicídio por encomenda, ou seja, um assassino contratado para matar alguém em troca de pagamento.

A estrutura incluía:

  • Acesso clandestino a sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol com credenciais de terceiros;
  • Vigilância presencial de alvos;
  • Monitoramento telefônico;
  • Simulação de solicitações oficiais para remoção de conteúdos da internet.

Após ser levado à delegacia da PF em Belo Horizonte, “Sicário” se suicidou, segundo fontes ouvidas pelo R7.

6. Conversas sobre agressões

Há trecho no qual Vorcaro manifesta desejo de mandar “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, com sugestão de forjar assalto.

Também constam ordens para “moer” e “dar sacode” em funcionários.

Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar atividades do grupo, com repasses operacionalizados por Fabiano Zettel e Ana Claudia Paiva, por meio de empresas como a King Empreendimentos.

7. Rombo bilionário e atuação do FGC

A investigação menciona impacto próximo de R$ 40 bilhões, com atuação do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para cobrir prejuízos ligados ao Banco Master.

Ao mesmo tempo, há registro de ocultação de valores superiores a R$ 2 bilhões em conta vinculada ao pai de Vorcaro.

O que o ministro determinou

André Mendonça decretou:

  • Prisão preventiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Felipe Mourão e Marilson Roseno;
  • Tornozeleira eletrônica e restrições a servidores e outros investigados;
  • Proibição de acesso ao Banco Central;
  • Entrega de passaportes;
  • Interdição de empresas usadas para lavagem;
  • Afastamento de função pública.

O relator criticou pedido de mais prazo da PGR (Procuradoria-Geral da República) para concordar com as medidas, registrando risco “extremamente perigoso” diante da necessidade de proteger vítimas e recuperar ativos.

Nota de Vorcaro

Em nota, o banqueiro afirmou que sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, concluiu.

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