Disney, ‘Sicário’ e milícia privada: entenda em 7 pontos a decisão para prender Daniel Vorcaro
André Mendonça detalhou organização com cooptação no Banco Central, venda de títulos falsos e estrutura de intimidação
Brasília|Do R7
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A prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, marcou nova etapa na apuração de um suposto esquema destinado a driblar regras do sistema financeiro nacional. Diante desse cenário, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, autorizou o avanço da terceira fase da Operação Compliance Zero.
A decisão, divulgada na quarta (4), descreve uma organização com divisão de tarefas, atuação no sistema financeiro, cooptação de servidores do Banco Central e um grupo apelidado de “A Turma”, apontado como milícia privada.
Confira o despacho do ministro em sete pontos.
1. Como funcionava a estrutura
Segundo a investigação, havia quatro núcleos. Veja o infográfico:

2. O papel de Daniel Vorcaro
A decisão aponta Vorcaro como líder do grupo e gestor do esquema de captação fraudulenta. O texto também atribui a ele articulação com servidores do BC e emissão de ordens diretas para ações de intimidação.
Ele tinha sido preso em novembro do ano passado, mas deixou a cadeia usando tornozeleira eletrônica e proibido de manter contato com outros investigados.
Apesar disso, a investigação indica que Vorcaro continuou com as atividades ilícitas, ocultando ao menos R$ 2 bilhões.
3. Servidores do BC sob suspeita
Dois nomes aparecem no núcleo institucional: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, então chefes no Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Interceptações mostraram troca frequente de mensagens dos dois com Vorcaro.
Entre os pontos citados estão:
- Sugestões sobre postura em reuniões com o presidente do Banco Central;
- Revisão de minutas de ofícios antes do envio formal ao próprio órgão;
- Grupo de mensagens para discutir estratégias regulatórias;
- Alerta antecipado sobre movimentações detectadas pelos sistemas de monitoramento.
Há referência a contratos simulados por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial para formalizar repasses.
Em diálogos, constam menções a pagamento da “primeira do Belline” e cobranças de valores.
4. Viagem para a Disney entra na decisão
O despacho cita vantagem indevida ligada a uma viagem internacional.
Paulo Sérgio informou Vorcaro sobre ida com familiares a parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos. Em mensagem, o empresário afirmou: “Arrumar guia para essas pessoas”.
Na sequência, houve acionamento para garantir serviço de guia privado durante a estadia nos Estados Unidos.
O ministro considerou o episódio indício de benefício pessoal vinculado à relação entre fiscalizador e instituição financeira.
5. ‘Sicário’ e a milícia privada
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” ou “Sicário”, aparece como coordenador operacional de “A Turma”.
O apelido, segundo a decisão, é “indicativo da natureza de suas atividades”.
Sicário é um termo usado para designar uma pessoa que comete homicídio por encomenda, ou seja, um assassino contratado para matar alguém em troca de pagamento.
A estrutura incluía:
- Acesso clandestino a sistemas da PF, MPF, FBI e Interpol com credenciais de terceiros;
- Vigilância presencial de alvos;
- Monitoramento telefônico;
- Simulação de solicitações oficiais para remoção de conteúdos da internet.
Após ser levado à delegacia da PF em Belo Horizonte, “Sicário” se suicidou, segundo fontes ouvidas pelo R7.
6. Conversas sobre agressões
Há trecho no qual Vorcaro manifesta desejo de mandar “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, com sugestão de forjar assalto.
Também constam ordens para “moer” e “dar sacode” em funcionários.
Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar atividades do grupo, com repasses operacionalizados por Fabiano Zettel e Ana Claudia Paiva, por meio de empresas como a King Empreendimentos.
7. Rombo bilionário e atuação do FGC
A investigação menciona impacto próximo de R$ 40 bilhões, com atuação do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para cobrir prejuízos ligados ao Banco Master.
Ao mesmo tempo, há registro de ocultação de valores superiores a R$ 2 bilhões em conta vinculada ao pai de Vorcaro.
Suíte master tem 400 metros quadrados
O que o ministro determinou
André Mendonça decretou:
- Prisão preventiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Felipe Mourão e Marilson Roseno;
- Tornozeleira eletrônica e restrições a servidores e outros investigados;
- Proibição de acesso ao Banco Central;
- Entrega de passaportes;
- Interdição de empresas usadas para lavagem;
- Afastamento de função pública.
O relator criticou pedido de mais prazo da PGR (Procuradoria-Geral da República) para concordar com as medidas, registrando risco “extremamente perigoso” diante da necessidade de proteger vítimas e recuperar ativos.
Nota de Vorcaro
Em nota, o banqueiro afirmou que sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, concluiu.
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