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Dosimetria tem cenário ‘surpresa’ no Senado: entenda caminhos da redução de penas

Senadores têm maioria para restringir texto ao 8/1 e consideram rejeitar versão da Câmara e votar proposta alternativa do Senado

Brasília|Lis Cappi, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Senadores analisam projeto de Dosimetria para reduzir penas de condenados do 8 de Janeiro.
  • Duas possibilidades: alterar o texto da Câmara dos Deputados ou rejeitá-lo e criar nova proposta no Senado.
  • Alessandro Vieira propõe rejeição do texto da Câmara e um substitutivo, apontando riscos ao sistema penal.
  • Questões sobre a generalidade do projeto geram necessidade de restrição do benefício apenas aos atos de 8 de Janeiro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Senado avalia projeto para reduzir penas aos envolvidos no 8/1 Marcelo Camargo/Agência Brasil - 08.01.2023

O projeto da dosimetria, voltado à redução de penas para condenados pelos atos de 8 de Janeiro, será analisado por senadores nesta quarta-feira (17), em um cenário de indefinição que pode levar à conclusão das votações apenas em 2026.

Há dois caminhos possíveis: a alteração do texto aprovado pela Câmara dos Deputados, caso fique acertado que a tramitação será concluída no Senado; ou a rejeição da proposta enviada pelos deputados, com a análise do tema a partir de um novo projeto, elaborado pelos senadores.


O desfecho será definido em votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), prevista para a manhã. A expectativa entre integrantes do colegiado é de um adiamento por algumas horas antes da deliberação, segundo apurou o R7.

Se a CCJ entender que as adequações podem ser feitas sem necessidade de retorno à Câmara e que o texto pode seguir à sanção presidencial, a proposta será ajustada e encaminhada ao plenário ainda no mesmo dia.


Caso os parlamentares optem por um texto de autoria do Senado, o projeto precisará passar novamente pela Câmara, o que pode empurrar a votação para o próximo ano.

Nesse cenário, a palavra final ficaria com os senadores, em uma estratégia para evitar novas modificações durante a análise dos deputados.


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Sugestão de substitutivo

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) defende essa alternativa e apresentou voto separado em relação ao projeto.

Ele propõe a rejeição do texto da Câmara e a apresentação de um substitutivo, também voltado à redução de penas, mas argumenta que a versão aprovada pelos deputados apresenta riscos à Lei de Execução Penal como um todo.


“Ao aprovar o projeto com emendas, o Senado Federal corre o risco real de legitimar a tramitação da matéria, fornecendo o fôlego jurídico necessário para que ela sobreviva, apenas para ver suas contribuições técnicas descartadas na etapa final. O Senado se tornaria refém de um texto que já nasce comprometido”, defendeu Vieira.

A posição conta com apoio do MDB, que reúne 11 senadores na Casa, e encontra respaldo em outras siglas, como o PSD, segundo relatos feitos à reportagem.

A decisão caberá à CCJ e ao direcionamento do presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA). O parlamentar já apresentou críticas ao texto e chegou a indicar uma emenda para deixar explícito que os benefícios fiquem restritos aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

O problema da dosimetria

A falta de acordo decorre de questionamentos em relação à versão aprovada na Câmara. Senadores avaliam que o texto chegou ao Senado com redação considerada “genérica”, abrindo margem para a redução de penas em crimes fora do contexto dos atos antidemocráticos, como corrupção e violência sexual.

Esse risco levou parlamentares a defenderem um consenso em torno da necessidade de delimitar, de forma expressa, a aplicação do benefício apenas aos casos relacionados ao 8 de Janeiro. O ponto foi aceito pelo relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), que defende incorporar o ajuste sem que o texto precise retornar à Câmara.

“Estou trabalhando para apresentar um projeto livre de qualquer acusação de beneficiar outros que não os apenados pelo processo do 8 de janeiro. Ninguém mais poderá dizer que isso é para beneficiar crime disso ou crime daquilo”, afirmou Amin.

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