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Eleições 2026: É preciso punir o mau uso da IA, não a ferramenta, diz especialista

Vice-presidente do TSE, Kassio Nunes Marques defendeu a elaboração de regras para o uso da inteligência artificial

Brasília|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Kassio Nunes Marques, vice-presidente do TSE, defende a criação de regras para o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026.
  • A tecnologia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal, e seu uso inadequado pode gerar dúvidas sobre a veracidade das informações.
  • Especialistas sugerem que, ao invés de proibir a IA, é mais eficaz esclarecer as punições para seu mau uso.
  • Candidatos devem ser cautelosos e o público é aconselhado a verificar informações para evitar serem enganados por conteúdos manipulados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A inteligência artificial generativa é uma ferramenta capaz de fazer o ser humano questionar a própria realidade. Em um mundo em que vídeos gerados pela tecnologia deixam a internet inteira em dúvida se um canguru foi ou não barrado em um aeroporto, é difícil de compreender os impactos que podem ser feitos ao utilizar a mesma prática durante as campanhas eleitorais de 2026.

Tanto é que o vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, defendeu a elaboração de regras para o uso de I.A. que garantam a integridade do processo. O executivo de tecnologia e cybersegurança Luiz Milagres afirma que a ferramenta não é necessariamente a vilã da história, mas que assim como uma faca de cozinha, ela pode ser utilizada tanto para o bem, quanto para o mal.


“2026 vai ser o grande ano [...] Eu diria que só em janeiro, já deu para ter um pouco da amostra e do potencial que o uso dessas ferramentas com uma má intenção poderá causar para nós essa dúvida de se é genuíno ou não é”, afirma o especialista em entrevista ao Hora News.

“Um exemplo recente: um deputado federal publicou uma foto feita de inteligência artificial com um rival dele envolvido no escândalo do Banco Master”, exemplifica Marques, que também supõe que nas próximas eleições, a I.A. poderia gerar o “candidato perfeito”, mas que não existe: “Posso criar vídeos com aquele clima de nossa, como essa pessoa é maravilhosa! [...] Na realidade ela é totalmente fictícia”. Além dessa previsão, o executivo crê que em um país onde até mesmo o passado é incerto, as chances dele ser alterado com a tecnologia são altas.


“Vídeos que não foram muito bem recebidos pela população poderão ser completamente alterados e passar uma mensagem diferente daquela que foi originalmente passada”, ele elabora. Mesmo com essas possibilidades, o especialista opina que o TSE não deveria restringir a I.A., mas sim esclarecer as punições que serão empregadas com o mau uso dela.

A ideia é que ao levarem mais a sério as regras do jogo, candidatos pensariam duas vezes antes de criar um conteúdo falso: “Eu acredito que qualquer proposta que vá impedir o uso de algo já começa a ferir a liberdade das pessoas; mas, deixar claro onde que o uso dessa ferramenta não é legal, é importante”. Ele também analisa que a simples remoção dos conteúdos da internet não resolve o problema, uma vez que eles já teriam causado diversos danos ao serem compartilhados pelas redes sociais e repostados por várias contas.


Ao ser questionado, o executivo afirma que, de fato, candidatos com mais recursos financeiros poderão utilizar a ferramenta de maneira mais estratégica e com resultados mais impactantes, porém o especialista afirma que muitos partidos ainda não sabem como utilizar a I.A.: “Não acredito que todos (os partidos) vão estar com os profissionais corretos para aproveitar o ideal dessas tecnologias e do mundo digital. Não é só o dinheiro, a capacidade dos profissionais também pesa”.

Então, na hora das campanhas, como se deve fazer para não ser enganado? Marques fornece alguns conselhos. O primeiro deles, um tanto surpreendente: “Controle suas emoções, meu amigo. Porque todo vídeo de inteligência artificial vêm com o intuito de tocar o seu lado emocional, para que você nem pense direito e já saia fazendo alguma coisa”.


Fora esse, ele recorda que a responsabilidade do envio dos mesmos conteúdos é do próprio internauta. Milagres recomenda a checagem das informações e em caso de dúvida evitar repassar. Por fim, duvidar da perfeição e dos absurdos que podem estar representados nas imagens é essencial para evitar que o seu voto vá para um candidato que talvez nem exista.

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