Enquanto concedia entrevista a jornalistas, na tarde desta quarta-feira (26), no Senado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi interrompido por um trompetista, que tocava marcha fúnebre. O momento foi poucas horas depois de a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), de forma unânime, tornar Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.Ao ser interrompido, o ex-presidente sorriu e disse ter “saudade” da época em que atuava no Exército. “Saudade dos meus tempos de quartel, desse toque de corneta. Pode ser um sinal“, declarou.O som da marcha fúnebre soava como uma cantiga feita por opositores ao ex-mandatário: “Tá na hora do Jair. Jair embora”.Ainda na entrevista, Bolsonaro continuou se colocando como candidato à Presidência da República em 2026, apesar de estar inelegível até 2030 e de enfrentar processos criminais no STF. Além disso, ele ressaltou que sua prioridade continua sendo a aprovação do projeto de lei que anistia os presos e condenados pelos atos extremistas, que aconteceram em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.Mais cedo, durante uma primeira declaração à imprensa, Bolsonaro disse que as denúncias são “infundadas”.Mais cedo, por unanimidade, a Primeira Turma do STF decidiu tornar réus Bolsonaro e outros sete denunciados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.Prevaleceu entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes. Na leitura do voto, Moraes elogiou a PGR (Procuradoria-Geral da República) e sustentou a complexidade da ruptura institucional.“Esse propósito ficou evidente nos ataques recorrentes ao processo eleitoral, na manipulação indevida das forças de segurança para interferir na escolha popular, bem como na convocação do alto comando do Exército para obter apoio militar a um decreto que formalizaria o golpe. A organização criminosa seguiu todos os passos necessários para depor o governo legitimamente eleito”, completou o ministro.Com a denúncia recebida, os réus passam a responder penalmente pelas ações na Corte. Então, os processos seguem para a fase de instrução, composta por diversos procedimentos para investigar tudo o que aconteceu e a participação de cada um dos envolvidos no caso. Depoimentos, dados e interrogatórios serão coletados neste momento.Depois, o ministro responsável pelo caso produz um relatório. Na sequência, a Primeira Turma julga se condena os denunciados pela PGR.