Brasília Embaixador brasileiro na ONU pede cautela em relação às sanções contra Rússia

Embaixador brasileiro na ONU pede cautela em relação às sanções contra Rússia

Ronaldo Costa Filho afirmou que 'medidas aumentam os riscos de um confronto mais amplo e direto entre a Otan e a Rússia'

  • Brasília | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, embaixador Ronaldo Costa Filho

Representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, embaixador Ronaldo Costa Filho

Reprodução/Youtube

Durante reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), neste domingo (27), o representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, embaixador Ronaldo Costa Filho, pediu cautela em relação às sanções econômicas aplicadas contra a Rússia. As sanções têm sido aplicadas e discutidas depois que o país invadiu a Ucrânia na última semana e iniciou uma série de ataques, inclusive contra civis.

Costa manteve a posição brasileira que condenou os ataques, mas pediu também atenção dos países em relação ao fornecimento de armas à Ucrânia. De acordo com ele, esta postura pode ampliar ainda mais os conflitos.

"O fornecimento de armas, o recurso para ciberataques e a aplicação de sanções seletivas, que podem afetar setores como fertilizantes e trigo, com forte risco de fome, acarretam o risco de agravar e espalhar o conflito e não de resolvê-lo. Não podemos ser alheios ao fato de que essas medidas aumentam os riscos de um confronto mais amplo e direto entre a Otan e a Rússia", afirmou.

O embaixador ressaltou que é dever do Conselho de Segurança da ONU e da Assembleia Geral, "parar e reverter essa escalada". "Precisamos nos engajar em negociações sérias, de boa fé, que possam permitir a restauração da integridade territorial da Ucrânia, garantias de segurança para a Ucrânia e a Rússia e estabilidade estratégica na Europa", pontuou.

Ronaldo Costa Filho afirmou que desde sexta-feira (25), quando expôs preocupação sobre questões de segurança dentro e em volta da Ucrânia, nada mudou. "Pelo contrário, na verdade. Enquanto falamos, o número de vítimas, o sofrimento humano e os riscos para a paz e a segurança internacionais continuam aumentando a cada hora", relatou.

O embaixador reiterou o apelo que fez para o fim do conflito. "Ao renovarmos nossos apelos por um cessar-fogo imediato, também apelamos à Ucrânia e à Rússia para que facilitem a retirada de todas as pessoas que desejam deixar o território ucraniano. O Brasil já deseja expressar sua gratidão à Polônia, Eslováquia, Hungria, Moldávia, Romênia e outros que estão facilitando a saída de pessoas que fogem do conflito, em especial brasileiros e latino-americanos", frisou.

O Itamaraty informou neste domingo que 80 brasileiros já conseguiram deixar a Ucrânia. Ainda constam, no entanto, cerca de 100 brasileiros registrados na lista da embaixada brasileira em Kiev que continuam em solo ucraniano.

Últimas