Brasília 'Eu dei uma paulada neles', diz Bolsonaro sobre banqueiros que assinam carta pela democracia

'Eu dei uma paulada neles', diz Bolsonaro sobre banqueiros que assinam carta pela democracia

Chefe do Executivo voltou a criticar, nesta quinta-feira (28), documento que já conta com mais de 160 mil assinaturas

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PL)

O presidente Jair Bolsonaro (PL)

Alan Santos/PR - 27.06.2022

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar, nesta quinta-feira (28), a carta em defesa do sistema eleitoral brasileiro e pela democracia, assinada por diversos segmentos da sociedade e que já conta com mais de 160 mil signatários.

Durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse que os banqueiros — entre eles Candido Botelho Bracher (ex-presidente do Itaú) e José Olympio Pereira (ex-presidente do Credit Suisse no Brasil) — assinaram o documento porque perderam dinheiro com a transferência bancária desde a criação do Pix.

"Você pode ver que essa carta aos brasileiros e [sobre] democracia, os banqueiros estão patrocinando. É o Pix, que eu dei uma paulada neles", disse o presidente. "Os bancos digitais também, que facilitamos. Estamos acabando com o monopólio dos bancos", completou.

O documento foi feito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e em menos de 24 horas obteve a assinatura de mais de 100 mil pessoas. A carta não cita Bolsonaro e afirma que "estamos passando por momento de imenso perigo" para a normalidade democrática, com riscos às instituições e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Entre os signatários estão banqueiros, empresários, intelectuais e advogados. O documento conta também com a assinatura de ministros eméritos do Supremo Tribunal Federal e docentes de diversas universidades do país, como USP, UFMG, UFRJ e UFPB.

A carta já tinha sido alvo de críticas por parte de Bolsonaro nesta quarta-feira (27). Durante a convenção que oficializou a aliança do Partido Progressista com o Partido Liberal, o presidente desdenhou do documento. 

"Defendemos a democracia. Não precisamos de nenhuma cartinha para falar que defendemos a democracia. Que queremos cada vez mais cumprir e respeitar a Constituição. Não precisamos, então, de apoio ou sinalização, de quem quer que seja, para mostrar que o nosso caminho é a democracia, liberdade e o respeito à Constituição", afirmou Bolsonaro.

O documento em defesa da democracia será lido em 11 de agosto, na capital paulista. A carta chega em meio às críticas feitas por Bolsonaro ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas. Recentemente, o presidente convocou embaixadores estrangeiros para levantar suspeitas contra o modelo adotado, o que provocou reações em diversos segmentos da sociedade.

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