Ex-genro que teria tido morte encomendada por fundador da Gol diz que foi ameaçado 4 vezes
Nenê é acusado de tentar matar o ex-marido de sua filha no dia 5 de junho de 2008
Brasília|Myrcia Hessen, do R7

Eduardo Queiroz Alves, ex-genro do fundador da Gol, Nenê Constantino, prestou depoimento na manhã desta terça-feira (16) no Tribunal do Júri do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios). Nenê é acusado de tentar matá-lo no dia 5 de junho de 2008. Contudo, em seu depoimento, o ex-genro não deixou claro se sabe quem ordenou seu assassinato.
— Constantino teve divergências de mim e de Vitor [filho de Eduardo e sócio em duas de suas empresas]. Mas, não senti ameaça de morte por parte de Constantino.
Além de Constantino, são réus na mesma ação Antônio Andrade de Oliveira e José Humberto de Oliveira Cruz, acusado de disparar os tiros direcionados ao ex-genro do empresário.
Durante o depoimento, Eduardo contou que chegou a receber "mensagens" que poderiam ser encaradas como ameaça. Certo dia, estava em sua casa quando um motoqueiro entregou uma cesta a ele. Quando abriu, para sua surpresa, havia um rato morto dentro.
— Um motoqueiro passou lá e deixou, mas não tenho indícios de que tenha sido Constantino.
Em seu depoimento, Eduardo contou ainda que um dia antes do ataque que sofreu, percebeu um cheiro de "vísceras" em seu carro e chamou a polícia. Contudo, após a perícia, foi consta que se tratava de uma cesta de mexericas que seu funcionário havia esquecido lá dentro.
—Às vésperas do julgamento emprestei o carro para um funcionário e, quando voltou, estava com mau cheiro. Me disseram que eram restos de vísceras, de bicho morto, mas a perícia constatou que eram restos de citrus e o funcionário disse que esqueceu as mexericas e foi até a polícia explicar.
No total, Eduardo suspeita de quatro fatos que lhe pareceram ameaças. Para ele, todas eram mensagens para dizer que alguém sabia por onde ele andava, que alguém conhecia seus passos.
— Alguém mandou recado para me amedrontar, para falar: estamos sabendo onde você está. Eu imagino que era um aviso [sobre o ataque].
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Constantino teria contratado José Humberto de Oliveira Cruz por meio de Antônio Andrade de Oliveira para matar seu ex-genro. Depois disso, José Humberto teria atirado diversas vezes contra o carro de Eduardo, mas nenhum o acertou. Durante o interrogatório, Eduardo foi questionado se sentia medo do ex-sogro, que, na época, estaria insatisfeito com relação à sua condução dos negócios da família. Contudo, negou a informação.
— Nunca me senti amedrontado, mas que os funcionários alteraram contratos, fizeram assinaturas falsas, isso fizeram.
Outro motivo que, segundo o Ministério Público, teria levado Constantino a tentar matar o ex-genro seria a insatisfação com relação a divisão dos bens entre Eduardo e sua filha. Em depoimento, Eduardo disse não ter noção da dimensão do valor desses bens, mas que "pode ser de R$ 32 milhões".
— Acertamos que o valor passariam para os filhos, metade sobre a supervisão da esposa e a outra parte sobre minha supervisão — explicou.
José Humberto de Oliveira Cruz está internado no HRSM (Hospital Regional de Santa Maria) e não prestará depoimento nesta terça-feira. Às 13h15, o tribunal ouvirá Antônio Andrade de Oliveira.
Constantino e os demais réus podem pegar até 30 anos de prisão pelo atentado contra Eduardo. Atualmente, Nenê Constantino responde ao processo em prisão domiciliar, José Humberto de Oliveira cumpre prisão preventiva e Antônio Andrade aguarda o julgamento em liberdade.














