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Servidores do BC são alvo de operação por suposto apoio estratégico ao Master

Ação investiga possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de celulares e computadores

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dois servidores do Banco Central são alvos da operação da Polícia Federal por supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
  • A operação, chamada Compliance Zero, investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
  • Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são suspeitos de fornecer orientações estratégicas ao Master, tentando influenciar processos administrativos.
  • Um banqueiro foi preso em São Paulo por ameaças e tentativas de obstruir as investigações, enquanto os servidores foram afastados de suas funções públicas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Servidores do Banco Central estavam associados e atendiam aos interesses de Vorcaro Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Dois servidores de carreira do Banco Central são alvo de busca e apreensão, com autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, no âmbito da 3ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal nesta quarta-feira (4), que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master.

Belline Santana ocupava o cargo de chefe do Departamento de Supervisão Bancária e Paulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto do mesmo setor. Ambos são suspeitos de fornecer orientações estratégicas sobre processos administrativos e prestar consultoria ao Master.


Conforme decisão de Mendonça, os dois servidores serão monitorados por tornozeleira eletrônica, além de estarem proibidos de manter contato com outros investigados, ir ao Banco Central e sair da cidade em que moram. Ambos tiveram que entregar os passaportes à Justiça.

Mais cedo, a PF prendeu Daniel Vorcaro em São Paulo por causa de ameaças e hackeamento de celulares, em tentativa de obstruir as investigações. Em nota, a defesa de Vorcaro informou que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça” (leia abaixo na íntegra).


A operação investiga uma “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

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Servidores do Banco Central

Segundo as investigações, Paulo Sérgio prestava consultoria informal e contínua a Vorcaro, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora.


“Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro do Banco Central, buscando influenciar a análise de processos administrativos, fornecer informações sobre procedimentos em curso e indicar estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pela instituição financeira”, diz o documento.

Já Belline Santana prestava consultoria estratégica a Vorcaro, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco em relação ao Banco Central.


“As investigações também apontam que Belline Santana demonstrava acompanhamento próximo de decisões administrativas e movimentações institucionais envolvendo o Banco Master, mantendo o controlador do Banco Master informado sobre temas relevantes relacionados à atuação da supervisão bancária”, aponta o texto.

O que dizem as defesas

Procurada pela reportagem, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e que colabora “de forma transparente com as investigações desde o início”. Além disso, os advogados negaram “categoricamente as alegações atribuídas” a ele e disseram confiar que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade da conduta” do empresário.

O Banco Central do Brasil informou nesta quarta-feira (4) que identificou indícios de recebimento de vantagens indevidas por dois servidores da instituição no contexto de processos de fiscalização e liquidação envolvendo o Banco Master. Segundo o órgão, a suspeita surgiu a partir de uma revisão interna, e os casos foram imediatamente comunicados à Polícia Federal.

De acordo com o BC, os servidores foram afastados cautelarmente de suas funções, tiveram o acesso aos sistemas bloqueado e são alvo de procedimentos correcionais. A instituição afirmou ainda que, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa, eventuais condutas irregulares serão punidas conforme previsto em lei.

A reportagem do R7 tenta contato com as defesas dos demais investigados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

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