Exposição inédita sobre os bebês de Dachau tem participação de sobrevivente do Holocausto
Mostra produzida pelo governo alemão relembra caso único e traz a Brasília história de sete crianças nascidas em campo de concentração
Brasília|Do R7, em Brasília
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O Senado Federal abre, no dia 3 de março, a exposição “Eles nos deram esperança de novo — gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1 Dachau”. Produzida pelo governo da Alemanha, com apoio da Conib (Confederação Israelita do Brasil), a mostra será apresentada pela primeira vez no mundo no Salão Negro, em Brasília.
A cerimônia contará com o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, cerca de 30 embaixadores e George Legmann, um dos sete bebês nascidos no campo de concentração de Dachau, em 1944. Ele vive em São Paulo desde 1961 e idealizou o projeto.
Sete mulheres húngaras, deportadas grávidas, deram à luz no subcampo Kaugering 1, nas proximidades de Dachau, entre dezembro de 1944 e o início de 1945. Todos os recém-nascidos sobreviveram, em meio a frio intenso, falta de higiene e superlotação nas barracas de madeira.

Relembrando a história, Legmann relatou como a sobrevivência ocorreu. Um médico de Dachau ligou para um companheiro em Auschwitz, no fim da guerra.
- “Olha, eu achei sete mulheres grávidas, o que eu faço com elas?”
- “Você faz o que bem desejar, porque aqui, em Auschwitz, na nossa direção, estão vindo as tropas da União Soviética, já estão muito perto, e nós estamos tentando esconder o que nós fizemos”.
“E eu não sei se foi um ato de boa vontade, um ato de lucidez, ele deixou essas sete mulheres sobreviverem. É um caso único na história do Holocausto, e levou-as para um outro campo, chamado Kaufergum, super perto de Dachau, onde deu condições mínimas de essas mulheres darem à luz”.
Segundo o sobrevivente, a atitude também evitou a execução do médico envolvido no caso.
“O médico não foi executado porque ele deu para essas sete mães 50 latas de leite condensado bem perto do fim da guerra. E a minha mãe escreveu uma carta dizendo que ele teve esse ato de boa vontade. Essa carta existe e está documentada”.

George nasceu em 8 de dezembro de 1944. Após o conflito, reconstruiu a vida no Brasil. Tornou-se amigo de Leslie Rosenthal, outro dos bebês nascidos em Dachau.
“Ele se chama Leslie Rosenthal e mora no Canadá. A mãe dele teve a gravidez mais difícil. Ela pegou tifo. Acharam que não ia sobreviver. A minha mãe disse à mãe dele: ‘Se acontecer alguma coisa com você, eu vou adotar seu filho. Se eu sobreviver também’. Minha mãe, que estava com 37kg, amamentou nós dois. Eu vi o Leslie no ano passado, em maio, por ocasião do 80° aniversário da libertação do campo”.
Hoje, além de Legmann no Brasil e Rosenthal no Canadá, outro sobrevivente vive nos Estados Unidos. Das quatro meninas, uma reside em Israel, duas na Hungria e uma na República Eslovaca.
Importância da memória
A exposição seguirá por outras cidades brasileiras, com foco em estudantes. Para Legmann, a memória precisa alcançar novas gerações.
“No Holocausto, morreram um milhão e meio de crianças”, diz Legmann. “E no campo de Dachau, morreram não só judeus, mas também cristãos, testemunhas de Jeová, ciganos, negros, padres. Um regime totalitário, como o nazismo, afeta toda a humanidade”.
A mostra apresenta documentos, registros históricos e relatos sobre o nascimento das sete crianças judias no fim da guerra, episódio singular dentro do sistema de campos de concentração do regime nazista.
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