Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

Famílias lutam para sobreviver após perder parentes vítimas do trânsito no DF

Trânsito do DF tirou a vida de 205 pessoas nos sete primeiros meses do ano

Brasília|Do R7

  • Google News
A esteticista Wanessa Gyovanna morreu depois de ser atropelada por um motorista bêbado
A esteticista Wanessa Gyovanna morreu depois de ser atropelada por um motorista bêbado

Há pouco mais de dois meses, João Borges vive a dramática experiência de matar a saudade da filha, de 18 anos, por meio de fotos e recordações. A notícia da morte da jovem, de 18 anos, chegou na madrugada do dia 17 de julho. Horas antes, animada, bonita e desinibida, a esteticista Wanessa Gyovanna Borges da Costa saiu de casa para participar de um chá de fraldas. 

Na volta, teve duas surpresas: a gasolina do carro da amiga acabou e as duas desceram do veículo para esperar o combustível que um amigo levaria. Antes de resolver o problema, a última e fatal surpresa da vida de uma jovem, que alimentava uma vasta alegria de viver. Wanessa foi atropelada por um motorista bêbado no acostamento da EPTG (Estrada Parque Taguatinga, a rodovia que liga o Plano Piloto às regiões do Guará, Taguatinga, Águas Claras e outras).


Luiz Lene Pereira de Souza trafegava em alta velocidade e, após o acidente, fugiu sem prestar socorro. A jovem recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu minutos depois de chegar ao Hospital de Base, no Plano Piloto. A tragédia vivida pela família de Wanessa é a de pelo menos outras 205, que perderam entes queridos nas vias do DF.

— Ela era cheia de vida, só queria viver. Era uma menina que andava sempre arrumada, queria aproveitar a vida. Ela foi assassinada. A pessoa que dirige bêbada sabe que pode matar alguém, desabafa o pai de Wanessa, João Borges.


Grande parte dos acidentes que ocorre no DF é em rodovias, como a EPTG, ou em vias urbanas, dentro das cidades e que costumam apresentar maior movimento. Uma das cenas chocantes de acidente em uma via urbana aconteceu no dia 16 de outubro. O técnico da Agência Brasileira de Inteligência, Deivid da Silva Alves, morreu ao ser atingido por um carro desgovernado quando esperava o ônibus em uma parada.

O veículo atravessou a pista em alta velocidade e atinge o rapaz. Tudo foi registrado por uma câmera instalada no carro de um motorista de táxi que passava pelo local. De acordo com a Polícia Militar, o teste do bafômetro confirmou que o condutor havia ingerido bebida alcóolica. O teor de álcool no sangue era dez vezes maior que o permitido.


Deivid desistiu de ir trabalhar de carro e morreu atropelado na parada de ônibus
Deivid desistiu de ir trabalhar de carro e morreu atropelado na parada de ônibus

Deivid costumava ir trabalhar de carro toda sexta-feira, mas abriu mão do hábito no que viria a ser seu último dia de vida. Duas semanas antes, ele havia recebido um carro novo, comprado dias antes, e não usou o automóvel porque aguardava uma ligação do seguro para garantir que o carro estava protegido. O pai de Deivid, Raimundo Akves, se diz revoltado com a morte do filho.

— A revolta é muito grande em perder meu filho em um acidente trágico [provocado] por uma pessoa alcoolizada. [...] Dizem que ele já vinha fazendo zigue-zague na pista e ceifou a vida do meu filho. Me revolto muito. 


Dados do Detran mostram que, como Deivid, 31 pessoas foram vítimas de atropelamento e 30 de colisões, os tipos de acidentes que mais matam. 

Uma tragédia que marcou a Capital Federal foi a morte da atriz Carolina Scartezini Battisti, em 2013. A jovem, de 23 anos, morreu atropelada quando se dirigia à Esplanada dos Ministérios de bicicleta para participar de um protesto. O impacto da batida provocou traumatismo craniano e hemorragias internas graves. Ela passou por cirurgia, ficou em coma induzido na UTI e morreu dois dias depois do acidente. Ali acabava o sonho de um jovem atriz em início de carreira.

Atriz morreu aos 23 anos após ser atingida por um carro quando andava de bicicleta
Atriz morreu aos 23 anos após ser atingida por um carro quando andava de bicicleta

Em sua página no Facebook, uma amiga faz um elogio à menina, que tinha um sonho de ser uma grande atriz de teatro.

— Linda em todos os momentos. Seja no palco ou no teatro da vida. Faça muito TEATRO onde esteja.

Uma de suas últimas postagens fala sobre a convivência com a ausência. “E com o tempo a gente vai se acostumando a conviver com a presença de alguns e com a ausência de outros”.

Um levantamento do ano passado mostra que 406 pessoas morreram vítimas de acidente de trânsito em todas as vias e rodovias em 2014. O número representa um aumento de 6% em relação a 2013 (384). O índice de mortos é de 2,60 a cada 10 mil veículos, abaixo do recomendado pela Organizações das Nações Unidas, de 3,0. 

Gastos com acidentes no país

Em 2014, o poder público gastou cerca R$ 40 bilhões por causa de acidentes em rodovias federais, estaduais e municipais, segundo estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O custo do acidente em si, no caso de óbito, é de R$ 646 mil. Em média, um acidente numa rodovia federal custa à sociedade R$ 72 mil reais.

Os acidentes de transporte terrestre no país mataram cerca de 43 mil pessoas e os acidentes nas rodovias correspondem a 20% dessas mortes. Apenas em 2014, ocorreram 170 mil acidentes em rodovias do país, com 8 mil mortes e mais de 100 mil feridos. Quase 65% dos gastos do poder público estão associados à atendimento de vítimas e direitos previdenciários para pessoas que perdem a capacidade de trabalho.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.