Inflação

Brasília Guedes prevê queda na inflação em 2023: 'Agimos primeiro'

Guedes prevê queda na inflação em 2023: 'Agimos primeiro'

Ministro disse também que a alta no preço do fertilizante, impactado pela guerra, deve impactar no preço dos alimentos

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes

Adriano Machado/Reuters - 28.01.2022

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta sexta-feira (11), que a alta da inflação é um fenômeno registrado em todo o mundo, não apenas relacionado ao Brasil e estima queda na inflação em 2023.

"A inflação é mundial, não tem nada a ver com o governo Bolsonaro. O mundo sofreu o choque. O primeiro impacto é a subida de preço.  A inflação vai subir de novo no ano que vem? Não, vai descer, porque agimos primeiro", afirmou.

A previsão feita pelo Posto Ipiranga ocorre após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, subiu 1,01% em fevereiro, após ter registrado taxa de 0,54% em janeiro. Trata-se da maior variação para o mês de fevereiro desde 2015 (1,22%) e da maior taxa mensal desde outubro do ano passado (1,25%).

Guedes destacou que, caso o Banco Central não tivesse subido os juros, o Brasil poderia crescer cerca de 5,5% ou 6%. O ministro avaliou, também, que o país agiu antes de outras nações zerando o déficit primário.

De acordo com o ministro, a expectativa de redução da inflação se dá pelo fato de ser um fenômeno monetário e fiscal. "O fiscal está zerado. A monetária está no lugar, então deve cair. O que acontece é que, quando vem outro choque desse tipo, fertilizantes, petróleo, é uma mudança dos preços relativos. O preço dos fertilizantes sobe, preço do petróleo sobe, mas outros preços não sobem e até caem. E a inflação desce. É o que a gente espera", argumentou.

As declarações de Guedes ocorreram durante coletiva de imprensa após cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, de lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes. Diante do risco de interrupção no fornecimento de fertilizantes, o governo lançou o programa com o objetivo de promover o agronegócio nacional e aumentar a produção dos produtos até 2050.

Atualmente, o país ocupa a quarta posição mundial com 8% do consumo global desses produtos, sendo o potássio o principal nutriente utilizado (38% na fórmula). Na sequência, aparecem o fósforo, com 33%, e o nitrogênio, com 29%. Entre as culturas que mais demandam o uso de fertilizantes estão a soja, o milho e a cana-de-açúcar, somando 73% do consumo nacional.

Guedes disse que a alta no preço do fertilizante deve impactar no preço dos alimentos. "Uma crise no fornecimento de fertilizantes, a médio prazo, deve ter algum impacto, porque subindo o custo de um insumo básico, como fertilizantes, e já subiu, o plantio, a próxima safra, tudo isso deve receber esse impacto", afirmou.

Por outro lado, o ministro não vê razão para impactos a curto prazo. "A safra já está aí, já foi plantada e os alimentos estão aí. A preocupação maioria seria se o prolongamento da guerra forçasse esforços fiscais adicionais, custos adicionais, dólar subisse. Aí poderia até ter um impacto direto já."

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que evidencia o elevado nível de dependência externa em um mercado dominado por poucos fornecedores.

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