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Idosa teve 4 paradas cardíacas e morreu após 10 injeções de desinfetante na veia, diz polícia

Delegado que investiga mortes no DF afirma que técnico de enfermagem agiu com insistência e frieza durante toda a ação

Brasília|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, morreu após receber dez injeções de desinfetante na veia.
  • O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo foi responsável pelas aplicações, que causaram quatro paradas cardíacas na paciente.
  • Outras duas vítimas também foram afetadas por suas ações, sendo que duas técnicas de enfermagem participaram do crime.
  • O caso está sendo investigado e os responsáveis enfrentam acusações de homicídio doloso e qualificado.

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Miranilde Pereira da Silva morreu em hospital no DF após receber desinfetante na veia
Miranilde Pereira da Silva morreu em hospital no DF após receber desinfetante na veia Reprodução/Material cedido ao R7

A professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, uma das três vítimas da ação de técnicos de enfermagem em um hospital particular do Distrito Federal, morreu após sofrer quatro paradas cardíacas e receber ao menos dez injeções de desinfetante na veia, segundo a Polícia Civil.

De acordo com a investigação, o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi até o leito da paciente após preparar de forma irregular seringas contendo um medicamento controlado obtido por meio de receita falsificada. Cada aplicação provocava uma parada cardíaca quase imediata, cerca de 10 a 15 segundos depois.


A equipe médica conseguiu reverter todas as quatro paradas cardíacas sofridas por Miranilde. Mesmo diante das reanimações bem-sucedidas, o autor não interrompeu a conduta, segundo a polícia. Quando o medicamento acabou, segundo a polícia, ele foi até a pia do próprio leito, pegou um desinfetante hospitalar e passou a injetar a substância diretamente na veia da paciente.

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Foram mais de dez aplicações, até que Miranilde não resistiu e morreu. “O interrogatório todo [o Marcos Vinícius estava] extremamente frio, contando as coisas como se tivesse sido algo trivial. Choca também a frieza que ele demonstrou no interrogatório”, disse o delegado Mauricio Iacozzilli.


A frieza do técnico chamou a atenção dos investigadores. Conforme o relato policial, sempre que o monitor indicava uma parada cardíaca, Marcos Vinícius permanecia inerte. As manobras de ressuscitação só eram iniciadas quando outra pessoa entrava no quarto, o que, segundo a apuração, funcionava como um disfarce para evitar suspeitas sobre sua atuação.

Inicialmente, o autor negou qualquer irregularidade. A versão mudou após ele ser confrontado com imagens das câmeras de segurança do hospital.


Veja mais: Técnico de enfermagem preso por mortes no DF não demonstrou arrependimento, diz polícia

Inicialmente, ele tentou negar os fatos, dizendo que apenas estava aplicando medicações que haviam sido passadas pelos médicos. Contudo, depois nós confrontamos ele com os vídeos que o hospital nos forneceu, que mostram desde ele falsificando a receita no computador do médico até pegar o medicamento e, ao final, aplicar nas vítimas. Quando ele vê os vídeos, ele acaba confirmando que o fez

((Mauricio Iacozzilli, delegado da Polícia Civil do Distrito Federal)

“Aí indagamos a motivação de ele ter agido daquela forma. Ele começou a titubear. Inicialmente, disse que o plantão estava muito pesado, que não sabe dizer porque fez aquilo. Depois, ele disse que quis aliviar o sofrimento das vítimas, só que a primeira vítima estava bem, estava consciente, estava apenas com uma constipação intestinal, ou seja, também não faz sentido essa justificativa dele. A motivação dos crimes ainda está sob investigação”, acrescentou Iacozzilli.


Outras vítimas

Segundo a polícia, outras vítimas do técnico de enfermagem foram João Clemente Pereira, 63 anos, supervisor de manutenção da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal); e Marcos Moreira, 33, carteiro.

Os crimes, ainda conforme a investigação, ocorreram com a participação de duas técnicas de enfermagem — Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 —, que foram presas e indiciadas por homicídio doloso e qualificado. Em ao menos duas mortes investigadas, uma delas teria vigiado a porta e bloqueado a visão de terceiros enquanto Marcos Vinícius aplicava as substâncias.

O R7 tenta contato com a defesa dos três presos.

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