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Infiltrado no GSI teria facilitado acesso de extremistas a armas no Planalto durante o 8/1, diz ex-Abin

Ex-secretário da agência alertou ex-diretor-adjunto sobre a necessidade de avisar ministro sobre hipótese de traição

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília


Segundo andar e mezanino do Planalto no dia 8/1
Segundo andar e mezanino do Planalto no dia 8/1

O ex-secretário de Planejamento e Gestão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Leonardo Singer informou em mensagem a seu superior sobre a necessidade de alertar o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Gonçalves Dias, sobre a existência de um infiltrado que teria facilitado o acesso de extremistas a armas guardadas no Palácio do Planalto durante as invasões do 8 de Janeiro.

"De alguma maneira temos que dizer a ele [Gonçalves Dias] que alguém da equipe dele facilitou a entrada dos manifestantes nos recintos onde o armamento estava armazenado", disse Singer em mensagem enviada ao ex-diretor-adjunto da Abin Saulo Moura Cunha.

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Os vândalos que invadiram o Palácio do Planalto roubaram armas letais e não letais do GSI. Também foram levados documentos e munições.

Singer prossegue: "Não é fácil entrar e nem é fácil achar isso. Uma hipótese forte é coordenação entre gente do GSI e gente da manifestação", diz o ex-secretário, sugerindo que a agência se preservasse ao "insinuar isso tudo com muita leveza e sabedoria" ao então ministro. Saulo Cunha responde: "Isso". 

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Uma possível extinção do GSI ganhou força após as invasões. A pasta já estava sendo esvaziada no início do governo Lula, com mais de 200 exonerações antes mesmo dos atos extremistas. Em março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transferiu o comando da Abin para a Casa Civil, enfraquecendo ainda mais o GSI. 

Blindagem

As conversas foram obtidas pelo R7 e fazem parte do rol de documentos sigilosos da CPMI que apura os ataques do 8 de Janeiro. Nelas, Singer e Cunha também discutem estratégias para "blindar" a Abin das consequências dos atos. 

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Na segunda-feira 9 de janeiro, Leonardo Singer afirmou, às 7h36, que o então ministro Gonçalves Dias estava sendo "fortemente atacado, assim como o GSI", e alertou Saulo Cunha: "Narrativa pode mudar contra nós".

Singer prosseguiu com um plano para que os dois se protegessem, preservando o ex-ministro. "Saulo, precisamos nos blindar de todas as formas, mas sem relar no G. Dias. Recomendo conseguir um espaço com algum figurão do MJ [Ministério da Justiça] ou assessoria do Alexandre de Moraes [ministro do STF]", sugeriu o ex-secretário.

Saulo responde que o Ministério da Justiça já estaria sabendo. "Mas temos que reforçar", concorda o ex-diretor.

Às 7h52, Leonardo Singer afirma: "Estávamos sabendo também que o povo desceria a Esplanada para vandalizar, mas temos um material que está ficando quente demais nas nossas mãos". Ele diz que o tal "material" tem que ser entregue "de preferência a uma autoridade que nos dê suporte posteriormente". A reportagem acionou Singer e Cunha, que não se manifestaram. 

Investigação interna

O governo também foi questionado pela reportagem sobre demissões feitas no Gabinete de Segurança Institucional em razão de suspeita de envolvimento nos episódios extremistas, mas não respondeu até a publicação desta matéria.

Há, no entanto, uma investigação interna para identificar possíveis infiltrados. Na terça-feira (29), o ministro do GSI, Marcos Amaro dos Santos, demitiu o coronel do Exército Brasileiro Carlos Onofre Serejo Luz Sobrinho da função de coordenador-geral da pasta por suposto envolvimento com os atos.

A mesma investigação interna do GSI que acusou Luz Sobrinho de envolvimento nos atos de vandalismo concluiu que o então ministro da pasta na época dos episódios, general Marco Edson Gonçalves Dias, conhecido por G. Dias, não teve culpa pela invasão e depredação do Palácio do Planalto.

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