Eleições 2022

Brasília Lira indica apoio a Bolsonaro nas eleições: 'Questão de coerência'

Lira indica apoio a Bolsonaro nas eleições: 'Questão de coerência'

Deputado citou o PP como partido da base, mas criticou governo por falta de movimentação para pautar reforma administrativa

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Lira declara apoio a Bolsonaro para as eleições em 2022

Lira declara apoio a Bolsonaro para as eleições em 2022

Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta terça-feira (22), em conferência do BTG Pactual, que deve apoiar o presidente Jair Bolsonaro na corrida pela reeleição nas eleições deste ano. Por ser de um partido que integra a base governista, o parlamentar disse que é "questão de coerência" estar ao lado do chefe do Executivo.

"Lógico que, por questão de coerência, eu não fujo. Se o meu partido é da base do governo, o deputado Arthur Lira, no estado, deverá fazer campanha para o presidente Bolsonaro", disse. Ele deixou claro que o apoio ao presidente acontece enquanto deputado e não vincula o ato ao papel de presidente da Câmara.

Lira ainda citou o fato de Ciro Nogueira, presidente do PP, ser o ministro da Casa Civil, mas separou: "O presidente do meu partido é o ministro da Casa Civil, hoje ele está licenciado do partido. Eu sou o presidente da Câmara. Então, ele tem uma atribuição e eu tenho outra. Eu não interfiro nas decisões partidárias e ele não interfere nas decisões da presidência da Câmara."

Mesmo declarando apoio a Bolsonaro, o deputado não deixou de criticar a falta de movimentação do governo federal para andar com reformas estruturantes em ano eleitoral. Lira afirma que o semipresidencialismo poderia acelerar tais discussões. 

Sobre os rumos dentro do Legislativo, Lira afirmou existir a "possibilidade de me candidatar a um novo mandato como presidente da Câmara", mas evitou lançar uma campanha, com a justificativa de que, "se antecipar esse discurso, acaba com ano de trabalho". 

Ele diz que o objetivo é abandonar a tendência de inércia nas aprovações importantes em ano eleitoral. "O mandato legislativo é de quatro anos, e nós vamos procurar exercê-lo na plenitude, neste primeiro semestre", afirmou, detalhando que haverá prioridade na deliberação de propostas vantajosas ao ambiente de negócios. "Principalmente para o setor de infraestrutura e construção civil, que geram emprego, renda e divisas, vai ter uma atenção muito forte no Congresso Nacional."

Tecendo crítica à "velha máxima de dizer que reformas estruturantes a gente só faz no primeiro", Lira pressionou pela deliberação da Reforma Administrativa e avaliou que há uma falta de atuação do Planalto em relação ao tema. "Faltou apoio no governo porque alguém disse que é um ano difícil, um ano eleitoral, que o presidente precisa de 60 milhões de votos, e isso vai atrapalhar. Do outro lado, temos sindicatos organizados vendendo uma versão que não é verdadeira. E nós estamos com ela [reforma] pronta para entrar no plenário a qualquer momento", disse, acrescentando que a discussão pode ocorrer antes das eleições. 

Só temos que ter a sensibilidade do momento em que a Reforma Administrativa vai entrar. Falta mobilização de quem paga a conta no Brasil. Fizemos uma reforma que não mexe em nenhum direito adquirido, não mexe na previdência do atual servidor. Vai desenhar um Brasil mais leve, mais solto, mais tranquilo, com mais previsibilidade. Os novos entrantes é que teriam nova regra de funcionamento, de gestão e de condicionamentos de atuação

Arthur Lira, presidente da Câmara

Semipresidencialismo

Até o fim do ano, Lira disse que pretende pautar a discussão na Câmara sobre o semipresidencialismo, modelo defendido pelo parlamentar e que divide as atribuições de chefe de Estado e de governo entre duas pessoas: o presidente da República e o primeiro-ministro. Na avaliação de Lira, o modelo faria com que as reformas "andassem com mais fluidez" e traria "serenidade nas disputas políticas". 

"Evitaríamos essa questão do cai, não cai, dos impeachments, porque, em vez de nós pensarmos em reformar a lei do impeachment, vamos tentar reformar o nosso sistema político." Apesar da defesa, a votação de uma proposta neste sentido, a pauta deve ficar para a próxima legislatura, em 2023, podendo estabelecer mudanças no sistema político brasileiro a partir de 2030. 

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