Maioria dos brasileiros apoia ação dos EUA contra Maduro, mas defende neutralidade do Brasil, aponta pesquisa
Realizado com 2.000 entrevistados em 130 municípios do país, levantamento mostra apoio pragmático à intervenção na Venezuela
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A maioria dos brasileiros concorda, total ou parcialmente, com a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua mulher, mas defende que o Brasil mantenha uma postura neutra diante do episódio.
É o que mostra uma pesquisa do Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 10 e 14 de janeiro, com 2.000 entrevistados em 130 municípios do país.
Segundo o levantamento, 51% das pessoas ouvidas dizem concordar total ou parcialmente com a ofensiva americana. Outros 28% afirmam discordar da ação, enquanto 6% não concordam nem discordam e 15% preferiram não opinar.
O apoio é mais expressivo entre pessoas com renda familiar acima de cinco salários mínimos, evangélicos, homens e eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2022.
Apesar da concordância com a operação, não há consenso sobre as motivações dos Estados Unidos. Para 26% dos brasileiros, o principal objetivo da ação foi o controle do petróleo e dos recursos naturais venezuelanos. A defesa da democracia e dos direitos humanos aparece em segundo lugar, com 22% das menções, seguida pelo combate ao narcotráfico, citado por 18% dos entrevistados.
“As respostas revelam uma dualidade na percepção dos brasileiros: há apoio a uma ação de força contra um regime visto como autoritário, mas também desconfiança histórica sobre intervenções geopolíticas na América Latina”, avalia Marcia Cavallari, head do Ipsos-Ipec, segundo o relatório da pesquisa.
Raro consenso
Quando o foco se volta para o Brasil, o pragmatismo aparece com ainda mais clareza. Dois em cada três brasileiros (66%) defendem que o país se mantenha neutro diante da ação militar dos Estados Unidos. Apenas 17% avaliam que o Brasil deveria apoiar a ofensiva, enquanto 9% acreditam que o país deveria se posicionar contra.
As possíveis consequências do episódio para o Brasil também dividem opiniões. Para 29% dos entrevistados, a ação dos EUA trará impactos negativos; 23% enxergam efeitos positivos e 28% avaliam que não haverá consequências diretas. Outros 20% não souberam responder.
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A pesquisa também investigou o temor de que uma ação semelhante pudesse ocorrer em território brasileiro. A maioria (57%) afirma não ter medo dessa possibilidade, embora 37% digam ter algum nível de preocupação. Ainda assim, mais da metade dos entrevistados considera improvável que os Estados Unidos adotem medida parecida contra o Brasil.
Para o Ipsos-Ipec, o conjunto dos dados indica um recado claro da população à diplomacia brasileira: apoio pontual à ação externa não significa disposição para alinhamento automático ou envolvimento direto. A preferência pela neutralidade atravessa recortes ideológicos e reflete um raro consenso em um país marcado pela polarização política.
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