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Mais de 90% das crianças brasileiras de 2 a 5 anos comem ultraprocessados com frequência

Estudo sobre hábitos alimentares infantis mostra também que dois a cada dez menores de dois anos não comem frutas e hortaliças

Brasília|Jéssica Gotlib, do R7, em Brasília


Maior consumo de ultraprocessados está associado ao aumento da obesidade Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo - 09.02.2017

Nove a cada dez crianças brasileiras com idades entre 2 e 5 anos consomem alimentos ultraprocessados com frequência, mostra o Enani-2019 (Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil). O índice de 93% é dez pontos percentuais acima do verificado na faixa etária anterior, de 6 meses a menores de 2 anos. Nestes casos, 80,5% das crianças têm o costume de comer ultraprocessados. Ao mesmo tempo, 27,4% dos brasileiros de 2 a 5 anos não consomem frutas e hortaliças ao lado de 22,2% daqueles com até dois anos.

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Segundo Danielle Mendes, nutricionista materno infantil ouvida pelo R7, essa é uma tendência preocupante no país. “Esses alimentos, geralmente ricos em açúcares, gorduras saturadas, sódio e muitos aditivos, mas pobres em nutrientes essenciais, contribuem para o aumento do risco de obesidade e doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares ainda na infância”

A categoria de ultraprocessados inclui biscoitos, achocolatados, macarrão instantâneo e outros produtos da categoria. Eles se caracterizam por ter pouco ou nenhum alimento integral, substâncias industriais não utilizadas em casa, como proteínas isoladas, e aditivos cosméticos, como saborizantes, emulsificantes, corantes.

As famílias brasileiras, muitas vezes, optam por conveniência e praticidade, o que leva à inclusão frequente dos ultraprocessados na dieta diária

(Danielle Mendes, nutricionista materno infantil)

Ainda de acordo com a especialista, “o consumo excessivo desses produtos pode levar a deficiências nutricionais, prejudicando o crescimento e o desenvolvimento adequados das crianças. Além do impacto negativo na microbiota intestinal, que pode influenciar o sistema imunológico e a saúde mental das crianças”.

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Essa é a quarta classificação do sistema NOVA, cujos outros três grupos são compostos por:

  1. comida in natura ou minimamente processada: que passam por poucos processos, como remoção das partes não comestíveis, secagem, moagem, pasteurização, cozimento, congelamento, ou fermentação não alcoólica. Sem adição de substâncias;
  2. ingredientes culinários processados: substâncias obtidas diretamente dos alimentos do Grupo 1 ou da natureza criados por processos industriais como prensagem, centrifugação, refinamento, extração ou mineração;
  3. alimentos processados: produtos feitos pela adição de substâncias comestíveis do Grupo 2 nos alimentos do Grupo 1 usando métodos de preservação como fermentação não alcoólica, enlatamento ou engarrafamento.

Caso as condições atuais se mantenham, problemas de saúde pública associados à má alimentação e ao sobrepeso infantil podem ser agravados, explica Danielle. “O consumo de alimentos ultra processados tem aumentado significativamente nas últimas décadas, impulsionado por fatores como a urbanização, mudanças no estilo de vida e a ampla disponibilidade e publicidade desses produtos. As famílias brasileiras, muitas vezes, optam por conveniência e praticidade, o que leva à inclusão frequente desses alimentos na dieta diária”, detalha.

Segundo a nutricionista, algumas estratégias podem ajudar as famílias brasileiras a lidar com o problema, como: a educação nutricional, a oferta de alimentos naturais e minimamente processados, o envolvimento das crianças na cozinha, o planejamento e a organização das refeições, além da preparação de um ambiente alimentar positivo.

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Do ponto de vista das políticas públicas, ela destaca que a melhoria da merenda escolar, bem como o incentivo à agricultura familiar, a realização de campanhas de conscientização, a promoção de programas de educação nutricional e a taxação de alimentos ultraprocessados são métodos importantes que devem ser utilizados ou reforçados.

O consumo excessivo desses produtos pode levar a deficiências nutricionais, prejudicando o crescimento e o desenvolvimento adequados das crianças

(Danielle Mendes, nutricionista materno infantil)

Pesquisa amostral será repetida neste ano

O estudo de 2019 foi realizado a partir de 15 mil visitas domiciliares em 124 municípios de todo o país. Neste ano, uma nova versão da pesquisa está em andamento. Ainda vão receber os inquéritos os estados do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Roraima.

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro coordena as atividades em conjunto com as universidades do Estado do Rio de Janeiro, Federal do Pará, e as federais Paraná e de Goiás. Além da parceria de outras instituições públicas de todo o país.


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