Brasília Ministro fala em 'silêncio conivente com racismo' das autoridades espanholas em caso Vini Jr

Ministro fala em 'silêncio conivente com racismo' das autoridades espanholas em caso Vini Jr

Crítica de Silvio Almeida também foi direcionada à liga espanhola, à Fifa, a patrocinadores e a parte da imprensa europeia

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos

Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos

Clarice Castro/MDHC - 24/3/2023

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, acusou autoridades governamentais da Espanha, entidades ligadas ao esporte, patrocinadores e parte da imprensa europeia de se omitir em relação aos ataques racistas sofridos pelo jogador brasileiro Vinícius Júnior, craque do Real Madrid. Segundo ele, trata-se de "um silêncio conivente com racismo" e que pode ultrapassar os limites dos estádios de futebol. 

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"Quero lembrar também que essa violência racista contra o Vini Jr. demonstra que existe um problema muito maior, que tende a se espalhar muito além do campo, muito além do estádio. Temos um problema político de grande monta, o que justifica, inclusive, as manifestações por parte do Estado brasileiro", afirmou Almeida. 

O ministro disse que o episódio de racismo contra Vini neste domingo (21) não é um caso isolado. Ele ressaltou ainda que os ataques são contra um brasileiro de grande visibilidade, em partidas de grande proporção. "Então, ficamos imaginando como é tratada a comunidade brasileira, como são tratados os outros negros e negras que estão na Europa, que estão na Espanha", indagou. 

As autoridades espanholas devem uma explicação e dizer o que vai acontecer. A Fifa, há muitos anos, tem se omitido em tomar atitudes mais enérgicas e contundentes em relação a isso. Não é falta de tecnologia, de ciências sobre como se combate o racismo na sua dimensão institucional. Há muito estudo sobre isso, muitas experiências, o que reforça o fato de que há uma irresponsabilidade por parte das autoridades no caso Vini Jr. Isso compromete o futebol, a imagem da liga, da Fifa, e até mesmo da Espanha. Alguma providência precisa ser tomada em relação a isso.

Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos

O governo brasileiro acionou as autoridades responsáveis e representantes das entidades ligadas ao esporte para pressionar por medidas efetivas. Segundo Almeida, os ataques demonstram um problema político agravado pela omissão. O ministro disse que a falta de uma responsabilização pode provocar efeitos mais graves. 

O governo brasileiro publicou nesta segunda-feira (22) uma nota conjunta entre quatro ministérios para repudiar os ataques racistas sofridos por Vinícius Júnior. No comunicado, as autoridades brasileiras lamentam a falta de "providências efetivas para prevenir e evitar a repetição desses atos de racismo" e solicitam ações por parte do governo e das autoridades esportivas da Espanha.

Embate

Após os ataques, o craque do Real Madrid se pronunciou pelas redes sociais e reclamou das ações da LaLiga: "Não foi a primeira vez, nem a segunda, nem a terceira. O racismo é o normal na LaLiga. A competição acha normal, a Federação também, e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas".

O brasileiro escreveu que a Espanha o acolheu e que ele ama o país e reitera que a nação é racista. Em outra rede social, Vinícius Júnior também lamentou: "O prêmio que os racistas ganharam foi a minha expulsão."

Muito criticado, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, foi a público, por meio de suas redes sociais, criticar a postura de Vinícius, em vez de defendê-lo.

"Já que aqueles que deveriam não explicam o que a LaLiga pode fazer nos casos de racismo, nós tentamos explicar a você, mas você não se apresentou em nenhuma das datas combinadas que você mesmo solicitou. Antes de criticar e insultar a LaLiga, é necessário se informar adequadamente. Não se deixe manipular e tenha a certeza de entender bem as competências de cada um e o trabalho que estamos fazendo juntos", disse.

Vini Jr., então, reagiu novamente pelas redes sociais: "Mais uma vez, em vez de criticar racistas, o presidente da LaLiga aparece nas redes sociais para me atacar. Quero ações e punições. Hashtag não me comove".

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