Motoristas do DF denunciam: flanelinhas ameaçam e riscam carros quando não recebem dinheiro
Uma das vítimas disse que vai começar a andar com "cassetete" para se proteger
Brasília|Do R7, com a TV Record Brasília

Estacionar o carro em algumas áreas da região central de Brasília pode ser um risco. Motoristas estão dizendo que os flanelinhas que atuam nestas áreas ameaçam, constrangem e até riscam os carros quando não recebem dinheiro.
O operador de call center Luiz Aberto Batista de Jesus, por exemplo, teve o veículo riscado por ter se negado a pagar neste sábado (28). Ele disse que passou o dia todo trabalhando e quando foi voltar para casa levou um susto.
— Encontrei meu carro todo arranhado. Costumo estacionar sempre no mesmo local e não dou caixinha. Acredito que por esse motivo devem ter arranhado. Todos os dias sou coagido a dar dinheiro, mas nego. Acredito que tenha sido reataliação, porque todos os dias sou importunado por estas pessoas que não usam colete nem crachá, ou seja, provavelmente não são regularizados na profissão. Além disso, via de regra, são todos bem agressivos.
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A situação de Luiz não é um caso isolado. Vários motoristas conversaram com a reportagem da TV Record Brasília e relataram que também passam pelo mesmo problema. Alguns motoristas também são vítimas do "vandalismo" desses flanelinhas, que muitas vezes riscam os carros depois de "marcarem" as pessoas que não costumam pagar.
Nas ruas da cidade, em especial no Setor Comercial Sul, área central de Brasília, não é difícil encontrar cenas de flanelinhas sem colete intimidando os motoristas. Com isso, a população fica assustada, temerosa e não sabe como agir.
Os flanelinhas passaram a ser mais respeitados em Brasília depois que a profissão foi regulamentada em 2009. Por conta disso, só poderiam trabalhar se tivessem registro na DRT (Delegacia Regional do Trabalho) e com a identificação dos coletes e crachás.
Apesar disso, a história mudou de uns tempos para cá e agora a Seops (Secretaria de Estado da Ordem Pública e Social do DF) diz que apenas tem o papoel de ver o registro deles. A parte criminal, no entanto, seria com a Polícia Civil.
Em nota, a pasta também ressaltou que não há um levantamento sobre quantos guardadores de carro atuam na área central de Brasília, porque a lei não determina local específico que eles devam trabalhar. No entanto, reconheceu que esta é a área que mais recebe reclamações sobre a atuação irregular destes profissionais.
Pelo menos 83 demandas foram registradas na ouvidoria da Seops de janeiro a agosto deste anoe mais da metade se referiam à região. No mesmo período, 520 guardadores de carros foram abordados e 315 levados para a delegacia.
O exercício irregular da profissão é uma contravenção penal de menor potencial ofensivo e por isso a pena varia entre 15 dias a três meses de prisão ou multa.
Com medo, o operador de call center disse que está andando "precavido".
— Estou usando um pedaço de madeira, que parece um cassetete, porque uma hora dessas é capaz de eles virem para cima de mim para me machucar.













