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Mudanças ministeriais adiantam clima eleitoral e balançam articulação no Congresso

Alterações no primeiro escalão mirando 2026 mantêm a gestão, mas podem enfraquecer a articulação do Planalto no Congresso

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Reorganização no governo Lula antecipa o clima eleitoral de 2026.
  • Ministros da Fazenda, Casa Civil e Relações Institucionais devem deixar seus cargos para se candidatar ao Senado.
  • Substituições por secretários-executivos visam garantir estabilidade, mas podem enfraquecer a articulação do Planalto no Congresso.
  • Participação do Centrão pode aumentar e a estratégia do governo envolve riscos e potenciais ganhos para a governabilidade futura.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O presidente Lula quer que os ministros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann disputam eleições em 2026 Marcelo Camargo/Agência Brasil - 04.12.2025

A reorganização do primeiro escalão do governo Lula, motivada pelo calendário eleitoral de 2026, começa a gerar efeitos políticos em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu substituir três ministros estratégicos — Fazenda, Casa Civil e Secretaria de Relações Institucionais — cujos titulares devem deixar o governo até abril para se dedicar às campanhas do partido, principalmente ao Senado.

A movimentação, segundo especialistas, assegura continuidade administrativa, mas tende a reduzir a capacidade de articulação direta do Planalto no Congresso Nacional.


Deixarão os cargos o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o chefe da Casa Civil, Rui Costa; e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Filiados ao PT, os três figuram entre os nomes cotados para disputar vagas no Senado em 2026. Embora as candidaturas ainda dependam de definições internas, a saída do governo é tratada como inevitável.

As pastas passarão, inicialmente, ao comando de quadros técnicos ligados à atual estrutura do Executivo. Na Fazenda, Haddad será substituído pelo secretário-executivo Dario Durigan.


Na Casa Civil, a função caberá a Miriam Belchior, também secretária-executiva. A articulação política ficará sob responsabilidade de Olavo Noleto, secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o chamado “Conselhão”, no lugar de Gleisi Hoffmann.

A opção por secretários-executivos, segundo o Planalto, busca garantir estabilidade administrativa em áreas sensíveis, como política econômica e coordenação interna do governo.


Calendário eleitoral

Para o cientista político Gabriel Amaral, as mudanças indicam a incorporação formal do calendário eleitoral à organização do Executivo.

“O governo reconhece que decisões administrativas, articulação política e ocupação de cargos não podem mais ser pensadas isoladamente da disputa de 2026. Não é um abandono da agenda governamental, mas uma mudança de racionalidade”, afirma.


Segundo ele, governar e preparar a eleição passam a ocorrer de forma simultânea, prática recorrente em períodos pré-eleitorais. “A eleição antecede formalmente a campanha, mas organiza o funcionamento do governo”, diz.

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Articulação política

Na avaliação do especialista, a saída de ministros com forte peso político tende a provocar um enfraquecimento relativo da articulação do Planalto no Congresso.

“Saem ministros com capital político acumulado, capacidade de mediação e autoridade informal junto aos parlamentares”, explica Amaral.

Ele pondera, no entanto, que a perda não se mostra definitiva.

“Parte desses quadros retorna ao Parlamento ou passa a atuar diretamente na articulação eleitoral, recriando canais de interlocução por outras vias. O Planalto perde centralidade direta, mas pode ampliar sua capilaridade política em um Congresso fragmentado”, analisa.

Continuidade administrativa

Amaral ressalta que a substituição por secretários-executivos preserva o funcionamento da máquina pública, embora desloque o peso político das decisões.

“Eles conhecem os programas e os fluxos decisórios, o que garante continuidade. O que se perde é a capacidade de arbitragem política de alto nível, dependente de autoridade simbólica e trânsito pessoal”, afirma.

Com esse cenário, decisões mais sensíveis tendem a se concentrar no núcleo do Planalto, fator capaz de elevar o custo de coordenação interna e tornar o processo decisório mais lento.

Espaço para barganhas

A recomposição ministerial também abre espaço para renegociações políticas.

“Toda mudança cria janelas de barganha e reposicionamentos”, diz o cientista político. Segundo ele, a base aliada passa a calibrar o apoio considerando não só o presente, mas também o cenário eleitoral futuro.

Nesse contexto, o Centrão tende a ganhar protagonismo. “Esse grupo atua com eficiência em ambientes fluidos, desde que exista previsibilidade mínima e canais abertos de interlocução”, avalia.

Para Gabriel Amaral, a estratégia adotada por Lula envolve riscos de curto prazo, como aumento de ruídos políticos e maior dificuldade de coordenação, mas pode trazer ganhos estruturais.

“O principal ganho está na formação de palanques regionais competitivos e na tentativa de estruturar uma bancada forte no Senado, essencial para a governabilidade de um eventual novo mandato”, afirma.

“Trata-se de uma aposta menos focada em voto imediato e mais voltada à arquitetura de poder”, resume o especialista.

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