Operação da PF visa combater cadeia logística das duas principais facções do Brasil, diz Dino
Ação realizada nesta terça-feira mirou grupo suspeito de fornecer 43 mil armas a organizações e movimentar R$ 1,2 bilhão
Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou nesta terça-feira (5) que a operação da Polícia Federal contra um grupo que supostamente forneceu 43 mil armas a facções brasileiras e movimentou R$ 1,2 bilhão visa combater a cadeia logística das duas principais organizações criminosas do Brasil.
"Essa ação com Paraguai fará com que as duas maiores facções brasileiras, que eram destinatárias principais desses armamentos ilegais, tenham o fechamento dessa via logística para a realização das suas operações", disse Dino durante coletiva de imprensa. "É algo que tem impacto no Brasil, muito forte, e impacto, claro, no Paraguai", acrescentou.
Ao todo, são 54 mandados de busca e apreensão, 17 deles no Brasil e 21 no Paraguai. Os outros 16 não foram cumpridos por serem em locais conflagrados, com efeito colateral incontrolável. Além disso, foram 19 prisões, 6 delas no Brasil e 13 no Paraguai. Há também uma ordem de bloqueio de R$ 66 milhões em bens, direitos e valores.
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O ministro da Justiça ressaltou também que há 21 pedidos de difusões na Interpol e de cooperação jurídica internacional com Estados Unidos e Paraguai.
O superintendente regional da PF na Bahia, Flávio Albergaria Silva, explicou que a investigação começou em 2020 na cidade de Vitória da Conquista (BA). "Foram apreendidas à época 23 pistolas e 2 fuzis. Conseguiu, mediante perícia, identificar o número de série, e as armas eram raspadas. A partir daí, fizemos o rastreio junto ao fabricante de armas, que era na Croácia", disse.
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"Identificamos quem era o importador das armas no Paraguai, sendo uma empresa sediada em Assunção. Passamos a identificar outras apreensões, em todo o território nacional, de armas desse mesmo fabricante, o que nos chamou a atenção", completou o policial federal.
O superintendente ressaltou que, durante os três anos de investigação, foram realizadas mais de 60 apreensões em dez estados, com mais de 600 armas apreendidas somente no Brasil. "A empresa importou ao Paraguai uma média de 15 mil armas por ano. Acreditamos que grande parte desse número era desviada ilegalmente para abastecer facções criminosas no Brasil", afirmou.
No Brasil, os mandados foram cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, Sorocaba (SP), Praia Grande (SP), São Bernardo do Campo (SP), Ponta Grossa (PR), Foz do Iguaçu (PR), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF).
Veja os números da operação
54 mandados de busca e apreensão expedidos:
• 17 no Brasil;
• 21 no Paraguai;
• 16 não cumpridos por serem em locais conflagrados, com efeito colateral incontrolável.
25 mandados de prisão preventiva expedidos:
• 8 no Brasil — 5 cumpridos;
• 15 no Paraguai — 12 cumpridos;
• 2 nos EUA não cumpridos — não houve tempo hábil para a expedição dos mandados de prisão, de acordo com a lei daquele país.
6 mandados de prisão temporária expedidos:
• 1 no Brasil — cumprido;
• 5 no Paraguai — 1 cumprido.
21 difusões vermelhas na Interpol
Bloqueio de bens:
• determinação de bloqueio de R$ 66 milhões em bens, direitos e valores no Brasil — ainda sem informação de cumprimento;
• pedido de cooperação jurídica internacional enviado ao Paraguai para bloqueio de bens, direitos e valores naquele país.
Apreensões feitas nesta terça-feira:
• grande quantidade de dólares (ainda não contabilizados);
• centenas de armas (fuzis e pistolas) na sede da empresa que as enviava ilegalmente ao Brasil.















