Padilha diz que escolas de medicina podem ser proibidas de aplicar vestibulares
Ministro da Saúde cobrou melhorias após exame revelar que três em cada dez cursos de medicina têm desempenho insatisfatório
Brasília|Da Reuters
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O ensino médico no Brasil precisa melhorar, e o governo federal está dando um “choque de realidade” para essa evolução, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta quinta-feira (22), depois da divulgação do resultado do Enamed (Exame Nacional de Formação Médica), que revelou na segunda-feira (19) problemas em uma série de instituições de ensino.
“Se essas instituições não melhorarem, não vão poder mais fazer vestibular, ampliar e talvez não vão mais funcionar. Se não tiver medidas de melhora e isso não apareça no futuro elas podem ser descredenciadas”, disse Padilha a jornalistas após visitar um hospital federal no Rio de Janeiro.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação divulgados na segunda-feira, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios.
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Mas outros 99 cursos (32%) ficaram com notas nas faixas 1 e 2, com menos de 60% dos seus estudantes apresentando desempenho considerado adequado no Enamed.
Padilha disse que no governo anterior houve uma proliferação vertiginosa de vagas em faculdades privadas de medicina sem a devida avaliação da qualidade do ensino.
Segundo o ministro, o Enamed e a avaliação progressiva dos alunos podem contribuir para o avanço na qualidade do ensino.
“O ministério está colocando a casa em ordem. O Enamed vai dar um choque de realidade e terapias para cuidar da qualidade da formação médica”, acrescentou.
O resultado do exame está sendo questionado na Justiça pela Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), que afirmou na terça-feira (20) que “condução da edição de 2025 está marcada por inconsistências relevantes”.
Padilha afirmou ser favorável a um exame de proficiência para que médicos formados possam exercer a profissão e acredita que o Enamed poderia ser exame de ordem para a categoria, mas lembrou que o tema precisa obrigatoriamente ser debatido pelo Congresso Nacional.
Questionado sobre a judicialização do exame, Padilha afirmou que “há espaço para sugestões e justificativas”. “Mas todas as justificativas até agora na Justiça não deram certo”, pontuou.
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