PF prende empresário Wagner Canhedo Filho por suspeita de lavagem de dinheiro
Fraude fiscal do esquema pode ter causado prejuízo de R$ 875 milhões aos cofres públicos
Brasília|Do R7

Depois que a Justiça acatou um pedido do MPF (Ministério Público Federal), a Polícia Federal prendeu Wagner Canhedo Filho, suspeito de lavagem de dinheiro, fraude fiscal, falsidade ideológica e associação criminosa. O empresário do setor de hotelaria e transportes no DF está detido na Superintendência da PF em Brasília, na manhã desta sexta-feira (9).
Canhedo é alvo de investigações do MPF e pela polícia desde o ano passado por conta de práticas que impediam a execução de dívidas tributárias do grupo que ele é gestor. A estimativa da Procuradoria da Fazenda Nacional é que as fraudes cometidas pelo empresário tenham causado um prejuízo de R$ 875 milhões aos cofres públicos.
Além da prisão, cujo mandado foi cumprido pela PF no início da manhã, também foi solicitado que o empresário seja proibido de deixar o país. Segundo o Ministério Público, os investigadores justificam que existe risco de fuga diante do “robusto” poder econômico, o que poderia colocar em risco a aplicação da lei penal.
Os advogados de defesa de Canhedo afirmam que já tiveram acesso ao processo, e que vão pedir ainda nesta sexta-feira a liberdade provisória do empresário, mas não pretendem gravar entrevistas no momento.
Em maio deste ano, a Polícia Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional desarticularam um esquema de fraudes que era comandado por gestores do Grupo Canhedo, que administram, entre outros negócios, empresas de ônibus, de turismo e o Hotel Nacional em Brasília. Canhedo Filho foi detido na operação, mas pagou a fiança estipulada no valor de R$ 38 mil e foi solto horas depois.
No entanto, três meses mais tarde, novas informações reunidas pelos investigadores revelaram que o empresário mantém a prática, segundo detalha um dos trechos do documento enviado à Justiça com o pedido de prisão preventiva.
— Canhedo Filho migrou seu esquema para a utilização de outras empresas até então não conhecidas e também não atingidas pelos bloqueios judiciais no âmbito da Execução Fiscal, dentre as quais seguramente a Cooperativa de Transportes Alternativos e Autônomos do DF.
Como prova da triangulação ilegal, o MPF cita que no dia 28 de agosto, por exemplo, o empresário sacou mais de R$ 1,2 milhão de uma conta bancária em nome da Cooperativa que, anteriormente, havia recebido depósitos vultosos da principal empresa do grupo.
O Ministério Público relata ainda que a sede da Coota-DF foi alterada “justamente para o mesmo endereço das empresas de fachada utilizadas pelo grupo Canhedo em seu esquema fraudulento”. O responsável pela cooperativa é Gilbson Luna Gadelha que já prestou depoimento à polícia e confirmou as suspeitas.
CPI dos Transportes
Wagner Canhedo Filho, filho do ex-dono da Vasp, é dono da Viplan, empresa de ônibus que operou no sistema de transporte público do DF por 44 anos. Por conta disso, ele foi ouvido na CPI dos Transportes, na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal), no fim de setembro.
Na ocasião, Canhedo Filho afirmou que as empresas que não contrataram o escritório de advocacia de Sacha Reck, entre elas a Viplan, foram excluídas do processo licitatório que renovou as concessões de transporte público em 2012.
O empresário não apresentou provas da acusação, mas prometeu enviar à CPI cópia dos documentos que integram as ações judiciais movidas pela Viplan sobre o processo licitatório. Na quinta-feira passada (1º), o advogado Sacha Reck se defendeu das acusações.
Ele negou favorecimento a empresas de transporte durante o processo licitatório, apesar de que teria advogado para empresas de transporte vencedoras e também participado da elaboração do edital de licitação do transporte público no DF.














