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PM preso por suspeita de treinar manifestantes do 8/1 diz orar por Lula, Bolsonaro e Moraes

Declaração foi feita nesta quinta-feira em depoimento à CPI dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal

Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, em Brasília

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Major teria treinado manifestantes em frente ao QG
Major teria treinado manifestantes em frente ao QG

O major da Polícia Militar do Distrito Federal preso desde março por suspeita de ter ensinado práticas de guerrilha a extremistas do 8 de Janeiro afirmou que ora no presídio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "[Oramos] para todo mundo, nós não temos ódio. Esse país precisa de amor, precisa de Cristo", afirmou Cláudio Mendes dos Santos.

A declaração foi feita em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal.


O major pediu ainda "misericórdia" do presidente Lula e que Moraes "olhasse com carinho" para os manifestantes presos. Durante depoimento, Santos chegou a dizer que, caso Bolsonaro tivesse pedido para que os acampamentos em frente aos quartéis generais do Exército fossem desfeitos, todos os apoiadores teriam ido embora.

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"Ele [Bolsonaro] sempre disse uma frase: 'Eu ajo dentro das quatro linhas'. E isso era uma segurança de que não haveria nada de errado. Vários advogados e juízes quando foram ali [acampamento] também disseram que estava tudo certo", declarou o major.


Relatório

Na reta final da CPI, o embate político do colegiado tem aumentado nas últimas sessões. O último depoimento previsto é o da próxima quinta (16), do coronel Reginaldo Leitão. À imprensa, o presidente da comissão, deputado Chico Vigilante (PT), afirmou que pretende apresentar e votar o relatório antes de 30 de novembro. A expectativa do deputado é que o arcabouço seja apresentado aos membros da CPI e, depois de 24 horas, votado na Casa.

Parlamentares de direita e esquerda, contudo, apresentam expectativas controversas sobre os possíveis indiciamentos da CPI. De um lado, a direita retoma o discurso de uma possível "omissão" do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e de outros membros do governo federal, como o general Gonçalves Dias.

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Os parlamentares também questionam o julgamento dos manifestantes do 8 de Janeiro pela Suprema Corte, e não na Justiça comum e em primeira instância.

Por outro lado, a esquerda defende que o depoimento do major Cláudio Mendes Santos — em que afirma que um posicionamento do ex-presidente Bolsonaro ou do Exército sobre o resultado das urnas desfaria a inflamação popular e os acampamentos em frente aos QGs — é avaliado como prova da responsabilidade de Bolsonaro nos atos que terminaram com a depredação dos prédios dos Três Poderes.

Na própria mesa, há divergências. Enquanto Chico Vigilante diz que o relatório terá mais indiciados que na CPI do Congresso (que listou mais de 61 nomes), o próprio relator do texto na Câmara Legislativa, deputado Hermeto (MDB), diz que vai se ater a questões técnicas e não pretende indiciar quem não foi ouvido pelo colegiado.

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