Ponte JK é única do Brasil que tem sua estrutura monitorada 24 horas por dia
Custo do monitoramento da edificação é de R$ 600 mil por ano
Brasília|Fred Leão, do R7

Inaugurada em 2002 e com 1.200m de extensão, a ponte JK, em Brasília, é a única do Brasil que possui uma sala onde é feito o monitoramento de sua estrutura durante 24 horas por dia. O local fica embaixo da ponte, em uma das extremidades, na margem do Plano Piloto. Lá, um computador recebe sinais sobre a movimentação da estrutura, enquanto os veículos trafegam sobre a pista.
Para conhecer melhor a ponte, a reportagem do R7 DF percorreu seus arcos, em um trajeto que nunca foi percorrido por uma equipe de reportagem.
Nos arcos da ponte, estão instalados sensores que enviam sinais sobre a movimentação da estrutura metálica e dos cabos de sustentação da obra. Estes sinais podem indicar se há alguma movimentação inesperada que possa comprometer a segurança de sua estrutura. Considerada um cartão postal de Brasília, a ponte custou R$ 160 milhões. O custo de monitoramento anual é de R$ 600 mil, de acordo com a diretora de Obras Especiais da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), Maruska Lima.
— É um custo totalmente necessário, pois com o monitoramento é possível que se evite problemas estruturais na ponte e seja necessário gastar ainda mais com uma obra emergencial.
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De acordo com a diretora, o monitoramento permite que um possível problema estrutural seja percebido no início, o que permite que decisões sejam tomadas antes que a situação inesperada se agrave. Este monitoramento da ponte é feito desde 2011, quando ocorreu uma ruptura em um dos pontos de apoio da estrutura. Segundo a Novacap, à época dois aparelhos de sustentação da edificação precisaram ser trocados.
O esquema de monitoramento da ponte inclui o trabalho de funcionários que sobem por dentro dos arcos e também caminham na parte inferior da pista, onde fica parte da estrutura metálica que sustenta a ponte. Nestes locais podem ser feitos reparos e é possível conferir de perto o estado de cada parte da estrutura.
Parceria internacional
Segundo Maruska, um acordo de cooperação com o governo alemão será assinado no próximo mês para aprimorar o trabalho de monitoramento e manutenção da Ponte JK. O país é uma referência em conservação de obras públicas e, com o acordo, experiências poderão ser trocadas.
— A ponte JK tem uma estrutura única no mundo. Foi a primeira construída com este tipo de arcos e possui tecnologia inédita neste tipo de obra. Por isso, não temos um referencial de obras semelhantes para nos guiar, explica a diretora de Obras Especiais da Novacap.
Feita em metal, a ponte JK, ao contrário de outras construções do gênero, não possui camada de asfalto. A pista é formada por grandes chapas de metal, que são sustentadas pelos cabos presos aos arcos. Estas estruturas também se apoiam sobre pontos que ajudam a absorver o peso causado pelo tráfego de veículos. Outro ponto curioso sobre a construção é que sobre as chapas que compõem a pista, em vez de massa asfáltica, há uma camada de uma cobertura chamada dermoasfalto, que tem espessura entre 3 mm e 10 mm. Segundo a Novacap, cerca de 300 mil pessoas passam pela ponte diariamente.
Túneis escuros
A experiência de caminhar por dentro da Ponte JK é como uma expedição, mas sem grandes surpresas. Na parte que fica debaixo da pista, a sensação é de estar em um túnel, com vigas na parte superior e inferior. É preciso pular uma viga a cada cerca de três metros caminhados. Além disso, a cada distância de cerca de 40 metros, é preciso passar por uma passagem com cerca de um metro de altura por 50 centímetros de largura.
Já nos arcos, a subida é pesada. O caminho, percorrido diariamente por alguns funcionários da edificação e também percorrido pela reportagem do R7 DF, é composto por uma escada de degraus estreitos, feitos de chapas de metal. Não há luz e a solução é usar uma lanterna e se apoiar em um cabo de aço, que serve de corrimão.














