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'Populistas autoritários gostam de cortes com juízes submissos ou com poderes limitados', diz Barroso

Presidente do STF enumerou riscos às eleições e ao convívio social e disse que sociedade civil e imprensa são essenciais à democracia

Brasília|Do R7

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Barroso: 'Populismo divide a sociedade em duas'
Barroso: 'Populismo divide a sociedade em duas' Gustavo Moreno/STF – 21.03.2024

Para além da desinformação, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, citou outros riscos às eleições e ao convívio social que se misturam à natureza do que nomeou "populismo autoritário". Barroso discursou neste sábado (6) no Brazil Conference at Harvard & MIT, evento organizado por pesquisadores brasileiros em Boston, nos Estados Unidos.

"A característica central do populismo é a divisão da sociedade em duas, nós o povo puro, decente e conservador, e eles, as elites cosmopolitas, progressistas e corrompidas. A primeira falha conceitual desse populismo é a ideia de que só eles representam o povo, quando o povo é plural sempre. Ninguém pode reivindicar para si o monopólio da representação de um povo", disse o ministro.


Segundo Barroso, além de dividir a sociedade intencionalmente, esses movimentos se apoiam na comunicação direta com as massas, "bypassando" (passando por cima de) instituições intermediárias, como o Legislativo, a imprensa livre e a sociedade civil, além de eleger inimigos.

"Na maior parte dos casos, não nos EUA por razões óbvias [as indicações à corte americana seguem a lógica bipartidária] um dos inimigos eleitos são as supremas cortes, os tribunais constitucionais. Foi o que aconteceu na Hungria, na Polônia, na Turquia, na Rússia e na Venezuela. Também foi o que aconteceu no Brasil", disse Barroso.


"Populistas autoritários geralmente gostam de cortes preenchidas com juízes submissos ou cortes com poderes limitados. Porque o papel da Suprema Corte é limitar o poder político, assegurar estado de direito e direitos fundamentais inclusive contra maiorias políticas", continuou Barroso em alusão indireta às investidas do ex-presidente Jair Bolsonaro contra o STF.

O presidente do STF concluiu esse trecho de sua fala dizendo que Supremas Cortes têm papel importante na resistência a ataques contra a democracia, mas que nenhum tribunal consegue resistir sozinho, sendo necessário o engajamento da sociedade civil, sobretudo da imprensa, mas também de forças políticas democráticas.

Segundo ele, cortes análogas ao STF perderam na Rússia, na Hungria e na Venezuela, mas, no Brasil, as instituições venceram, ainda que tenham ficado "por um triz".

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