Quase metade dos brasileiros culpa governo pela crise de intoxicação por metanol
Governo foi considerado como o principal culpado por não dispor de sistema que ateste que bebidas vendidas são verdadeiras
Brasília|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Uma pesquisa de opinião pública revelou que 44,8% da população brasileira culpa o governo pela crise de intoxicações por metanol em bebidas alcoólicas falsificadas, que provocou ao menos 73 casos e 22 mortes no ano passado.
Na avaliação dos entrevistados pela pesquisa, o governo foi o principal responsável por não dispor de um sistema de fiscalização que ateste que as bebidas vendidas são verdadeiras. O R7 pediu um posicionamento do Ministério da Saúde e aguarda retorno.
De acordo com o levantamento, 26% atribuem a culpa aos estabelecimentos que comercializam bebidas adulteradas, enquanto 20,7% culpam a própria população por não verificar a procedência dos produtos consumidos.
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Além de avaliarem que o governo foi o maior culpado pela crise, a maior parte dos entrevistados reprovou o trabalho de fiscalização da Receita Federal.
Ao todo, 41% dos brasileiros acreditam que a instituição não está suficientemente preocupada com o controle de produtos comercializados no Brasil, enquanto 69,6% afirmam confiar pouco (40,8%) ou não confiar (28,8%) no órgão. Por outro lado, 26,2% dizem confiar na Receita.
“Os resultados do levantamento mostram que a população está atenta e informada sobre a crise do metanol e, sobretudo, cobra responsabilidade do poder público. Há uma percepção clara de que falhas estruturais de fiscalização e controle contribuem para a entrada de produtos adulterados no mercado. Isso reforça a urgência de medidas consistentes e permanentes de monitoramento e verificação da autenticidade de bebidas comercializadas no Brasil”, diz o diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, Rodolpho Ramazzini.
O levantamento foi feito pelo instituto Paraná Pesquisas em parceria com a Associação Brasileira de Combate à Falsificação e ouviu 2.005 brasileiros de 162 municípios entre os dias 2 e 8 de fevereiro.
Bebidas alcoólicas são principal motivo de preocupação
Quando questionados sobre quais produtos passaram a gerar mais preocupação quanto à procedência após os casos de contaminação, os entrevistados apontaram principalmente as bebidas alcoólicas: 47,1% dizem temer esse tipo de produto no momento da compra.
Em seguida aparecem suplementos e medicamentos falsificados (39,3%) e combustíveis adulterados (20,5%).
Com menor proporção, também foram citados cigarros (12,7%), cosméticos (7,4%), eletrônicos (7,4%) e roupas ou acessórios (6,6%).
Apesar dos casos de intoxicação por metanol, 23,7% dos entrevistados afirmaram que continuam consumindo bebidas alcoólicas da mesma forma de antes.
Por outro lado, 11,5% admitem ter diminuído o consumo de álcool após os incidentes, enquanto 10,9% substituíram bebidas destiladas por cerveja.
Quando perguntados sobre quais tipos de bebida os entrevistados acreditam não correr risco de sofrer adulteração, “água” foi a resposta da maioria (58,1%).
Outros 21,7% acreditam que todas as bebidas comercializadas correm o risco de manipulação. Sucos (16,1%), e cerveja (12,7%) aparecem em seguida.
Além disso, 82,2% dos brasileiros veem uma relação entre o comércio de produtos falsificados e o crescimento do crime organizado.
Pirataria se mantém em alta
Os entrevistados também foram consultados sobre o consumo de outros itens falsificados:
- 33,6% dos entrevistados contaram já ter comprado bolsas e acessórios acreditando serem originais e descobriram se tratar de produtos falsos;
- 17,5% se enganaram na compra de eletrônicos falsos;
- 13,3% se enganaram na compra de combustíveis adulterados;
- 12,8% afirmaram já ter comprado bebidas adulteradas.
Ainda, 23,1% afirmaram já ter adquirido produtos falsificados tendo ciência da procedência irregular.
Combate à falsificação
Os números obtidos pela pesquisa indicam apoio por parte da população brasileira a medidas estruturais de combate à adulteração:
- Reativação do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) como medida de fiscalização (88%);
- Uso obrigatório de selo de verificação de autenticidade em bebidas (34,4%).
*Estagiária sob supervisão de Augusto Fernandes
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