Brasília Ribeiro vendeu carro a pastor 6 meses depois de denunciá-lo à CGU por suposto esquema 

Ribeiro vendeu carro a pastor 6 meses depois de denunciá-lo à CGU por suposto esquema 

Ex-ministro procurou órgão em agosto de 2021 para falar de irregularidades, mas vendeu carro a Arilton em fevereiro deste ano

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro

Valter Campanato/Agência Brasil - 29.11.2021

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro negociou a venda de um carro ao pastor Arilton Moura seis meses depois de ter acionado a Controladoria-Geral da União (CGU) para denunciar a existência de um esquema fraudulento no Ministério da Educação (MEC) que supostamente teve a participação do religioso.

Em março, quando surgiram as primeiras denúncias de que Arilton e o também pastor Gilmar Santos teriam articulado a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a municípios em troca de propina, Ribeiro afirmou que havia pedido em agosto de 2021 uma investigação formal à CGU sobre as suspeitas de tráfico de influência em prol dos religiosos, que não têm cargo público.

No entanto, em fevereiro deste ano, seis meses após recorrer à CGU, o ex-ministro conversou com o pastor para vender um carro à família de Arilton. De acordo com investigação da Polícia Federal, a filha do pastor, Victoria Camacy Amorim, comprou o automóvel da esposa de Ribeiro, Myrian Pinheiro. O pagamento, no entanto, foi feito por Arilton, que transferiu R$ 60 mil ao ex-ministro pela negociação.

A defesa do pastor não deu mais detalhes sobre o episódio e disse que "se manifestará apenas nos autos". Já o advogado de Ribeiro, Daniel Leon Bialski, comentou que o negócio foi "legítimo, lícito, documentado, tudo em ordem". 

Ribeiro e Arilton são acusados de terem cometido os crimes de corrupção ativa, tráfico de influência, prevaricação e advocacia administrativa. Um relatório da Polícia Federal sobre as investigações apontou a existência de uma organização criminosa dentro do MEC. O Ministério Público Federal diz que o ex-ministro dava respaldo ao esquema.

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