Veja passo a passo como funcionará a recuperação dos Correios
Aportes, reestruturação e demissões compõem o novo plano de governança da companhia

O plano de reestruturação dos Correios, desenhado para tirar a empresa de uma espiral de insuficiência de caixa e prejuízos, está dividido em três fases principais, que funcionam como os pilares estratégicos para a recuperação da estatal.
O presidente da companhia, Emmanoel Rondon, detalhou cada passo nesta segunda-feira (29).
1. Recuperação de liquidez (curto prazo)
O primeiro pilar foca na sobrevivência imediata e na quebra do ciclo de falta de recursos. Esta fase, prevista para durar cerca de três meses (até março), tem como objetivo central permitir que a empresa honre seus compromissos.
• Captação de recursos: A empresa realizou uma operação de crédito captando R$ 12 bilhões junto a um sindicato de bancos (incluindo Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander e Itaú).
• Destinação: O montante visa garantir a adimplência com fornecedores, pagamento de benefícios e tributos, além de recuperar a qualidade da operação e a confiança do mercado. Há uma previsão de que a necessidade total de captação possa evoluir para R$ 20 bilhões, o que pode envolver novas operações ou aportes futuros.
2. Reorganização e Modernização (médio prazo)
Esta é a fase mais complexa, com impacto relevante previsto para 2026 e 2027. O objetivo é criar eficiência operacional e reduzir despesas fixas, que hoje representam 90% dos gastos da empresa. Este pilar se subdivide em quatro frentes de atuação:
• Otimização de pessoal e benefícios:
- PDV (Plano de Demissão Voluntária): Previsão de desligamento de 10 mil empregados em 2026 e mais 5.000 em 2027.
- Revisão de Custos: Reavaliação de cargos de média e alta remuneração e revisão dos planos de saúde e previdência para reduzir o impacto atuarial e administrativo. A economia estimada nesta frente é de R$ 2,1 bilhões anuais.
• Redesenho da rede de operações:
- Envolve o fechamento de unidades deficitárias ou com sobreposição (“sombreamento”) de atendimento, mas respeitando as regras de universalização dos serviços postais.
- Inclui a automação de centros de tratamento, renovação da frota e otimização da malha logística para eliminar rotas redundantes.
• Gestão de ativos imobiliários:
- Venda de imóveis ociosos e operações de sale-leaseback (venda de imóveis operacionais seguida de locação dos mesmos, permitindo a desmobilização de capital).
- A meta conservadora é gerar R$ 1,5 bilhão em receitas até 2026, utilizando plataformas especializadas em leilões e fundos de investimento imobiliário.
• Parcerias com o mercado:
- Aceleração de 11 parcerias estratégicas para gerar novas receitas, com impacto estimado de R$ 1,7 bilhão em 2027.
- No total, as ações de corte de despesas (pessoal e operações) visam poupar cerca de R$ 4,2 bilhões por ano.
3. Crescimento e Futuro (longo prazo)
O terceiro pilar visa preparar a companhia para a sustentabilidade a longo prazo, alterando sua dinâmica de negócios para se adaptar ao mercado moderno.
• Novos modelos de negócios: A empresa contratou consultoria externa para analisar arranjos societários e parcerias mais abrangentes.
• Arranjos societários: Embora não haja um foco imediato em privatização total, a diretoria estuda modelos de economia mista ou parcerias específicas em setores como financeiro e de seguridade, inspirando-se em correios de outros países.
Governança e Metas
Para sustentar esses pilares, foi criada uma governança específica para o plano de reestruturação. Isso inclui o estabelecimento de metas individuais para os empregados, alinhadas ao plano de recuperação, e um rito de reconhecimento por performance e resultados.
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