Vídeo: motorista que fugiu de blitz no DF aparentava embriaguez; passageiro foi morto pela PM
Imagens mostram condutor com a fala alterada: 'Estou tomando remédio', diz ele em vídeo obtido com exclusividade pela Record TV
Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, Brasília
Um vídeo obtido com exclusividade pela Record TV mostra o motorista que tentou fugir de uma blitz no domingo (29), aparamentemente embrigado. Na gravação, Raimundo Aristides Júnior, de 41 anos, tem dificuldade para se levantar algemado e chega a cair na grama. Ele perde o equilíbrio e apresenta problemas para se manter de pé. O condutor diz aos policiais que poderia “ajudar todo mundo”. “De verdade mesmo. Casa na 26 de setembro, casa onde você quiser”, afirma.

Momentos antes, durante a tentativa de fuga, a polícia disparou diversas vezes contra o veículo de Aristides e atingiu o passageiro, Islan da Cruz Nogueira, de 24 anos, que morreu no local. O caso aconteceu na madrugada de domingo, no Eixo Monumental, por volta da 0h20.
No vídeo, Aristides diz, entre palavrões, que está “louco” e pede aos policiais que não o algemem. “Eu agi errado com vocês”, diz o motorista. Em outro momento, ele declara: “Eu agi arbitrariamente, ponto. Eu tenho que pagar o preço, ponto. Mas você meter a algema em mim, pô?”, questiona. Depois, o condutor diz que a mulher está grávida de sete meses e que é "cidadão de bem".
As gravações também mostram Aristides pedindo para falar com o comandante da operação, entre alegações de ser engenheiro, de estar tomando remédio e de não ter agredido ninguém. Um militar se aproxima e pergunta a ele sobre os documentos do carro; Aristides responde que o veículo está no nome dele.
Condutor afirma que o acelerador do carro 'travou'
Em depoimento prestado na segunda-feira (30) à Polícia Civil do Distrito Federal, Aristides negou a versão dada pelos agentes da PMDF de que teria tentado furar a blitz e atropelar policiais. Segundo o condutor, o acelerador do carro travou, o que teria feito o veículo avançar contra o bloqueio.
Aristides disse à polícia que tinha oferecido uma carona à vítima (Islan Nogueira), após encontrá-lo para emprestar R$ 500 a ele. Ele não confirmou se ultrapassou dois pontos de bloqueio e também não soube precisar se estacionou o carro porque o veículo parou de funcionar ou porque conseguiu freá-lo. De acordo com o depoimento, logo depois, ele desceu do carro e desmaiou. Ele teria sido acordado com tapas de um militar e alega que levou socos nas costelas.
No depoimento, ele afirma ainda que não se recusou a fazer o teste de embriaguez e disse que a faca que estava em sua cintura era de churrasco e presente de um amigo.
Entenda
A Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) montou, no último fim de semana, uma operação com três pontos de bloqueio, na região central de Brasília, para deter motoristas com sinais de embriaguez. Segundo a polícia, Aristides, ao ver a fiscalização, teria tentado dar ré, mas não teria conseguido se afastar o suficiente. Ainda de acordo com a PM-DF, o condutor teria avançado com o veículo em direção a um dos agentes.
Os policiais reagiram disparando contra o carro, e um dos tiros atingiu Islan da Cruz Nogueira. A PM afirmou que os disparos seriam para acertar os pneus do carro. O coronel da PM Edvã Sousa disse que Aristides “assumiu a irresponsabilidade” e “os riscos” ao avançar contra os agentes da blitz e tentar furar os dois pontos de bloqueio. O coronel falou também que os militares agiram para proteger a população e “conter risco” que o veículo poderia representar.
“Ele jogou o carro contra um militar, furou o bloqueio, desobedeceu à ordem de parada. Tudo isso é uma série de eventos crescentes que faz com que a reação da PM tenha sido a de tentar conter o veículo”, alegou.
Ao menos oito militares teriam disparado com pistolas 9 mm contra o veículo conduzido por Aristides. Em vídeo gravado, é possível ouvir pelo menos dez tiros.














