Violência doméstica: proposta torna tornozeleira obrigatória e cria sistema de alerta à vítima
Autor do projeto, deputado Marcelo Crivella diz que objetivo é dar tempo para mulher buscar abrigo ou pedir ajuda
Brasília|Do R7, em Brasília
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O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) apresentou um projeto de lei sugerindo mudanças na Lei Maria da Penha para reforçar a prevenção da violência doméstica e ampliar a proteção às mulheres em situação de risco. Entre os principais pontos, o texto torna obrigatória a tornozeleira eletrônica para agressores em casos de violência física comprovada e prevê que a vítima seja alertada caso o agressor viole as condições impostas pela Justiça, inclusive com o rompimento do equipamento.
Segundo Crivella, o objetivo é ganhar tempo para que a vítima possa se proteger, buscar abrigo ou acionar a polícia antes que a violência se concretize.
“Aquele agressor que tiver medidas protetivas, que não pode se aproximar da vítima, vai ter que usar também tornozeleira eletrônica, porque muitos deles não obedecem e vêm e matam a moça. Mas com tornozeleira eletrônica, a vítima, a mulher, agora vai poder saber onde ele está. E se ele tirar a tornozeleira, vai aparecer uma luzinha vermelha para ela. Ela corre para procurar abrigo”, explicou o parlamentar nas redes sociais.
Segundo o texto, quando houver comprovação de violência física contra a mulher, o agressor deverá ser submetido obrigatoriamente à monitoração eletrônica, além da adoção do chamado alerta de aproximação, mecanismo que informa a vítima sobre eventuais violações das restrições impostas pela Justiça.
Hoje, o uso da tornozeleira depende de decisão judicial caso a caso. O projeto mantém o princípio da proporcionalidade, mas transforma a medida em regra nos episódios considerados mais graves, justamente aqueles com maior risco de reincidência e de evolução para o feminicídio.
Resposta a falhas na prevenção
Na justificativa do projeto, o parlamentar cita dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que mostram crescimento expressivo dos processos de feminicídio nos últimos anos e destaca que muitos desses crimes foram precedidos por descumprimento de medidas protetivas.
Para Crivella, a ausência de um sistema padronizado de avaliação de risco e o uso ainda limitado do monitoramento eletrônico contribuem para respostas tardias do Estado. A proposta, segundo ele, busca deslocar a atuação estatal da lógica exclusivamente punitiva para uma estratégia de prevenção ativa e gestão de risco.
Além das mudanças para a tornozeleira eletrônica, o projeto cria um Cadastro Nacional de Medidas Protetivas e de Agressores, de acesso restrito às autoridades, e prevê sanções administrativas a agentes públicos que deixarem de cumprir ou fiscalizar medidas protetivas sem justificativa.
A proposta ainda será analisada pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação em plenário.
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