Aceleramos: novo BMW X1 'sai do armário' e larga jeitão de perua para se assumir SUV
Modelo está visivelmente mais alto e largo, traz novo 2.0 turbo e aposta em conectividade
Carros|Diogo de Oliveira, do R7, em Santana do Parnaíba (SP)








Uma questão existencial rondava o BMW X1 desde 2009, quando foi lançado mundialmente. Primeira opção da linha X (de utilitários), o modelo mais parecia uma perua, devido à baixa altura da carroceria, equivalente à de automóveis. A dianteira tentava disfarçar, com a grade mais alta, que entregava até um ar destemido. Mas bastava um olhar mais atento para classificá-lo como crossover. Em teoria, o X1 era o utilitário compacto da marca, mas na prática era uma station wagon com suspensão mais alta. Não mais. Nesta segunda geração, que acaba de chegar às lojas brasileiras (a partir de R$ 166.950), ele saiu de cima do muro e se assumiu SUV.
Salvo os traços característicos dos BMW, o novo X1 é outro carro visto de fora. Ou melhor, agora sim é um utilitário esportivo. A carroceria ganhou 5,3 centímetros de altura e 2,3 cm de largura, ficando nitidamente mais encorpada. Apesar disso, perdeu peso e ganhou rigidez com o uso de aços de alta e ultra resistência. Parte da dieta também veio da mudança de tração, que era traseira e passa a ser dianteira nas versões de base sDrive20i GP e X-Line (R$ 179.950). Trata-se do segundo modelo da marca que traciona as rodas da frente — o primeiro foi o Série 2. A tração integral (4x4) aparece só na configuração de topo xDrive25i Sport (R$ 199.950).
Menos comprido, mais vertical
As mudanças na carroceria também influenciaram a vida a bordo. Neste novo X1, os bancos estão mais verticais, o que ampliou o campo de visão do motorista e, além da área envidraçada maior, o espaço para pernas no banco traseiro ganhou 7,4 cm e permite reclinar o encosto. O porta-malas também cresceu com a "verticalização", passando a oferecer 505 litros de capacidade volumétrica — antes eram 420 litros. Só o comprimento foi reduzido em 1,5 cm. Mesmo a suspensão parece mais apta a encarar um fora-de-estrada. Mas como a maioria dos donos circulará no asfalto, a BMW calçou rodas aro 18 e 19 com pneus runflat.
Visualmente, o SUV compacto exibe o design mais moderno da marca bávara. Como ganhou altura, faróis e lanternas estão mais estreitos e pontiagudos, realçando sua jovialidade. O conjunto ótico dianteiro tem iluminação Full LED, enquanto as lanternas exibem riscos em LEDs e luzes halógenas. A carroceria, por sua vez, mantém a tradição e é repleta de vincos, que garantem uma aparência atlética. Já a musculatura é realçada pelos para-choques pronunciados e cobertos por molduras plásticas, que também contornam as caixas de roda e as bases das portas, simulando estribos. No teto, duas discretas barras longitudinais dão o toque final.
Vida a bordo
Dentro do novo X1, enfim tem-se a real sensação de se estar em um utilitário esportivo. A altura maior da carroceria torna o acesso à cabine mais fácil, e os bancos verticalizados potencializam o campo de visão. A ergonomia também se destaca, amparada pela sensação de espaço maior. A posição de dirigir muda bastante em relação ao modelo da primeira geração. Motorista e passageiro ficam mais sentados. Porém, há muito do antigo X1, que faz parte do "padrão BMW". O quadro de instrumentos, por exemplo, é bem modesto, com fundo preto, um pequeno visor para o computador de bordo e os relógios do velocímetro e do conta-giros.
Ao centro, a nova tela de 6,5 polegadas da central multimídia dá um ar de modernidade, mesmo sem ser sensível ao toque. O sistema mantém as características anteriores e é operado por um aglomerado de botões no console entre os bancos. Apesar disso, é intuitivo e conta com gráficos de alta resolução em 3D, além do ConnectedDrive, serviço que vem de fábrica e opera por meio de um SIM card, igual ao de uma linha de celular. Por meio dele, o proprietário tem a seu dispor uma central telefônica 24 horas, com concierge, informações de trânsito em tempo real no GPS, internet e rastreador. O serviço é gratuito nos primeiros três anos.
Primeira volta
Quem conhece o X1 sabe que o modelo antigo já entregava bom desempenho, mesmo sem ser agressivo. A novidade é que, nesta segunda linhagem, o SUV está razoavelmente mais potente e "feroz". Seu novo 2.0 twinturbo a gasolina, já apresentado no novo Mini Cooper, entrega 192 cv de potência e 28,5 kgfm de torque nas versões com tração dianteira. Já na topo de linha, despeja 231 cv e fortes 35,7 kgfm livres logo aos 1.250 rpm. Segundo a montadora, o X1 com tração integral leva só 6,5 segundos para acelerar de 0-100 km/h. Já as demais configurações chegam aos 100 km/h em 7,7 segundos.
Ao volante, é perceptível a diferença de desempenho entre os modelos. Ao mesmo, o câmbio automático sequencial de oito marchas torna as performances muito parelhas, com trocas extremamente rápidas. Sendo assim, a vantagem no modelo top é a tração integral permanente, cuja distribuição segue um padrão 60/40, para favorecer o consumo de combustível. Por falar nele, evidente que as versões 4X2 queimam menos gasolina, um atrativo. O mais interessante é que, embora exista uma boa diferença de potência e torque, na prática todos as versões prometem agradar a clientela, cada uma à sua maneira.
Mais luxo que tecnologias
Como esperado, o novo X1 é elegante por dentro, mesmo mantendo a sobriedade típica dos modelos da marca alemã. O acabamento é esmerado, com encaixes precisos e texturas macias, e os materiais em geral são de bom gosto. Há opção de interior em duas cores, e as molduras de decoração variam de material, podendo ser metálicas, acetinadas ou até em madeira. Já os bancos das unidades testadas estavam cobertos em couro e ofereciam ajustes elétricos (de série a partir do X-Line). Outros dois itens marcantes são o teto solar panorâmico e a abertura elétrica do porta-malas, ambos disponíveis no intermediário.
Item por item, o novo X1 mantém o foco no luxo, mas abre mão de tecnologias ultramodernas. Não há, por exemplo, monitor de ponto cego nos retrovisores, sistema de frenagem automática e assistente de estacionamento, que mede a vaga e faz as manobras sozinho. A BMW optou por oferecer mais equipamentos de conforto e comodidade, como o ConnectedDrive, em vez de mergulhar na eletrônica. Mesmo assim, o SUV compacto traz uma lista respeitável de série, com destaque para os controles eletrônicos de estabilidade e tração, a chave presencial e o programa de condução que permite configurar entre os modos Sport, Comfort e Eco Pro.
Trocando em miúdos
Nesta troca de geração, o BMW X1 mantém a disputa direta com Audi Q3, Mercedes-Benz GLA e Land Rover Discovery Sport, mas deixa de competir momentaneamente na base do segmento — antes havia a versão sDrive18i 2.0 aspirada, com 150 cv. Um inédito motor 1.5 turbo virá em breve. Enquanto isso, a marca aposta no luxo e na exclusividade do serviço ConnectedDrive, que não tem similares na concorrência. Em termo gerais, o SUV encanta no design moderno e na dirigibilidade, com ótimo desempenho sobre asfalto e performance mais condizente na terra. É importado, mas será produzido em breve na fábrica de Araquari, em Santa Catarina. O nacional deve estrear em março.
O novo 2.0 twinturbo, embora movido apenas a gasolina, é sedutor desde a versão mais mansa (192 cv) e prima pela eficiência, associado ao câmbio automático de oito marchas. No modo Sport, responde ao menor toque no pedal do acelerador e produz acelerações intensas na versão top, com 231 cv. A nacionalização torná-lo-á flex, mas a tração nas versões de base agora é dianteira. Em contrapartida, tem-se a carroceria mais alta e larga, com real porte de SUV. A nova estrutura ampliou o espaço interno e o porta-malas, tornando o X1 uma opção mais aventureira e, ao mesmo tempo, familiar. Isso pode fazer a diferença nas vendas.
FICHA TÉCNICA
BMW X1 sDrive20i X-Line A/T
Motor: 2.0, 16 válvulas, comando variável, turbo, gasolina
Potência: 192 cv a 5.000 rpm
Torque: 28,5 kgfm a 1.250 rpm
Câmbio: Automático sequencial, oito marchas
Direção: Assistência elétrica progressiva; tração dianteira
Suspensão: Dianteira independente McPherson, traseira independente por braços múltiplos
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Rodas e pneus: 225/40 R18
Dimensões: 4,44 metros (comprimento), 1,82 m (largura), 1,61 m (altura) e 2,67 m (entre-eixos)
Peso (ordem de marcha): 1.560 kg
Tanque de combustível: 51 litros
Capacidade do porta-malas: 505/1.550 litros (banco rebatido)
Garantia: 2 anos
Preço completo: R$ 179.950
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h: 7,7 segundos
Velocidade máxima: 225 km/h
BMW X1 xDrive25i Sport A/T
Motor: 2.0, 16 válvulas, comando variável, turbo, gasolina
Potência: 231 cv a 5.000 rpm
Torque: 35,7 kgfm a 1.250 rpm
Câmbio: Automático sequencial, oito marchas
Direção: Assistência elétrica progressiva; tração integral permanente (4x4)
Suspensão: Dianteira independente McPherson, traseira independente por braços múltiplos
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Rodas e pneus: 225/45 R19
Dimensões: 4,44 metros (comprimento), 1,82 m (largura), 1,61 m (altura) e 2,67 m (entre-eixos)
Peso (ordem de marcha): 1.560 kg
Tanque de combustível: 51 litros
Capacidade do porta-malas: 505/1.550 litros (banco rebatido)
Garantia: 2 anos
Preço completo: R$ 199.950
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h: 6,5 segundos
Velocidade máxima: 235 km/h













