Carros Brasileiro precisa economizar até 20 anos para comprar carro 'popular'. Entenda por que é tão caro

Brasileiro precisa economizar até 20 anos para comprar carro 'popular'. Entenda por que é tão caro

Cálculo é baseado em trabalhador com salário médio que não prejudica o orçamento familiar

  • Carros | Luiz Fernando Betti, do R7

Carro é artigo de luxo no Brasil, difícil negar. Com a volta do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) neste ano, os preços subiram de novo — apesar das vendas baixas em 2014 — e, com isso, o brasileiro precisa economizar até vinte anos para comprar um modelo básico sem comprometer o orçamento familiar.

Os cálculos usaram como base o Fiat Palio Fire (R$ 26.990), um dos veículos mais baratos do País, e a renda média de R$ 2.168,80 — veja detalhes no infográfico abaixo.

Nesse cenário, o trabalhador tem de poupar mensalmente 14% do salário para, em dez anos, comprar seu veículo. A situação piora se considerarmos o salário mínimo, de R$ 788, que remunerou 24,4 milhões de brasileiros em 2013, segundo o Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Com ele, o operário demora 20 anos para comprar um carro novo, mesmo usando 25% da renda — o limite para não afetar o orçamento familiar, segundo o economista da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira.

— Quem ganha essa remuneração não conseguirá comprar um carro novo, a não ser que já tenha reservas, bens para serem vendidos, ganhe algum prêmio ou não tenha dívidas e despesas fixas, o que o possibilitaria investir a maior parte do salário na compra.

Miguel afirma que a porcentagem do salário a ser aplicada no veículo, sem prejudicar as outras despesas, varia com as necessidades da família. Mas o ideal é que ela gire em torno de 10% do rendimento total.

— É por isso que os consumidores com baixo salários acabam comprando veículos usados, que possuem menor valor, uma vez que eles não conseguem assumir uma parcela de financiamento que ultrapasse 25% de sua renda.

Cada um no seu quadrado

O preço dos carros é uma reclamação frequente entre os brasileiros e já foi inclusive discutida no Senado, em 2014.  Entre os motivos que explicam a questão, estão o elevado lucro das montadoras e a alta carga tributária — como o IPI, que retornou neste ano.

No ano passado, diversas montadoras de luxo anunciaram a construção de fábricas no Brasil, como BMW e Mercedes-Benz. Com isso, surgiu a expectativa de que estas fossem baixar o preço de seus modelos — afinal, os custos de importação e logística seriam eliminados.

Porém, na prática, isso não ocorreu e as empresas mantiveram o preço de seus veículos após a nacionalização, sob o argumento de que precisavam pagar os investimentos feitos.

Nesta conta, o consumidor também tem sua parcela de culpa ao aceitar pagar os valores sugeridos. Além disso, é comum ver lançamentos sumirem das lojas pela alta procura. Muitos aceitam pagar ágio para serem os primeiros a desfilar com o carro nas ruas.

Enquanto isso, na Alemanha...

Comparar os preços dos carros daqui com os vendidos na Alemanha é pior do que perder de 7 a 1. Um dos veícuos mais desejados do Brasil, o Volkswagen Golf tem preço aqui a partir de R$ 73.800. Na mesma versão Comfortline, o hatch médio custa R$ 56.158 (19.325 euros) na Alemanha.

Não bastasse o valor mais baixo, a Alemanha oferece ao trabalhador um salário mínimo maior, de 1.473 euros (8,5 euros por hora) — o equivalente a R$ 4.355, teto mais de cinco vezes maior que o salário base do brasileiro. Ou seja, enquanto na Alemanha o salário mínimo corresponde a 7,62% do Golf, no Brasil ele representa míseros 1,07% do veículo.

Na prática, se um alemão gasta pouco mais de cinco anos para comprar o hatch, caso poupe 20% do salário, o brasileiro precisa de 20 anos para isso — e ainda teria de juntar 67% do salário. No fim das contas, o consumidor daqui ganha (bem) menos e paga (bem) mais caro para comprar o mesmo produto.

Para quem está de olho num carro novo, porém, a dica do coordenador do curso de Administração do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Eduardo Coutinho, é aproveitar o momento atual de queda do mercado, que está abrindo margem para ofertas.

— Eu sempre recomendo ficar de olho nas promoções e buscar financiar o menor valor possível do carro, se possível comprar à vista para não entrar em financiamentos e pagar juros.

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