Com novo câmbio automático, Peugeot 308 ganha fôlego para enfrentar rivais de peso
Hatch médio ganhou transmissão automática de seis marchas na linha 2014
Carros|Luiz Betti e Rodrigo Ribeiro, do R7

Com nome pomposo, o câmbio Tiptronic System Porsche estreou no Brasil há doze anos oferecendo a inédita opção de trocas sequenciais para o Peugeot 307 hatch (e posteriormente no sedã). O que era para ser orgulho, porém, se tornou um calcanhar de aquiles contra rivais mais modernos, minando as vendas do 307 e de seus sucessores, pois a marca inexplicavelmente manteve a defasada transmissão nas versões 2.0 do 308 e 408.
A correção só veio após mais de uma década, diretamente do Japão. Mais eficiente e com seis marchas, a transmissão fabricada pela Aisin passou a ser oferecida em toda a gama do 408 e no 308 2.0, repetindo a solução já aplicada nas versões 1.6 turbo da dupla. A atualização veio acompanhada de uma pouco perceptível mudança na suspensão traseira, que ficou ligeiramente mais macia na dupla.

Oferecido em três versões (Active, de R$ 54.990; Allure, desde R$ 63.490; e Griffe THP, de R$ 75.990), o Peugeot 308 oferece a caixa automática de seis marchas a partir da versão intermediária, por R$ 68.990 — a opção do defasado câmbio de quatro marchas deixou de ser oferecida no final de 2013.
Nessa configuração, o modelo traz de série itens como teto panorâmico de vidro, sistema de som com comandos na coluna de direção, luzes de condução diurnas (DRL) de LEDs, ar-condicionado digital duas zonas, vidros elétricos com sistema um toque nas quatro portas e rodas de liga leve de 17 polegadas.
O modelo avaliado por R7 Carros veio equipado ainda com o único opcional disponível: o sistema multimídia WIP NAV (R$ 2.000) com GPS integrado, que levou a conta final para R$ 70.990. Feita as apresentações, o modelo causa uma boa impressão à primeira vista.

Por fora, o destaque da carroceria está no conjunto óptico dianteiro, formado pelos faróis estilo 'olhos de felino' — que, embora não sejam novidade, foram bem assimilados ao estilo da montadora francesa — e o DRL que emoldura o os faróis de neblina.
Na cabine, o acabamento interno conta com superfícies emborrachadas, peças metalizadas e painel de instrumentos com fundo branco, o que transmite uma sensação de esportividade e elegância ao modelo.
Atração à parte, o teto panorâmico de vidro aumenta a claridade e amplia a sensação de amplitude interna, mas é melhor deixar a cortina elétrica fechada em dias de sol: do contrário, o carro se tornará uma estufa. Outro destaque do carro são os bancos dianteiros, confortáveis e com ótimo apoio lateral — o mesmo não se pode dizer do espaço interno traseiro, que limita o acesso do terceiro ocupante devido ao elevado túnel central.
Erros não forçados
Apesar do interior esmerado, o modelo comete alguns erros desnecessários no quesito ergonomia. A central multimídia com monitor de sete polegadas, por exemplo, seria melhor aproveitada com tela sensível ao toque no painel central, onde estão agora os pequenos botões físicos — erro já corrigido, por sinal, na nova geração do hatch médio, revelada no ano passado e prevista para chegar ao Brasil em dois ano.

Os comandos de som e telefonia na coluna de direção, e não no volante, também exigem do motorista maior esforço de memorização e tato. Entre os bancos dianteiros, por sua vez, o console central tem porta copos muito rasos disputando espaço com os apoios individuais de braço e o freio de mão. Na hora de estacionar, fez falta o sensor de estacionamento traseiro, presente até em populares.
Ao longo dos testes do R7 Carros, ouvi ainda críticas ao brilho "ofuscante" sob o sol das peças metalizadas no interior do carro, sobretudo em torno do câmbio automático, e à falta de banco de couro — “algo esperado para um carro de R$ 70 mil”, alfinetou o proprietário de um Honda Civic.
O maior deslize do modelo, entretanto, é o consumo exagerado de combustível (média de 6,4 quilômetros na cidade, com etanol), o que torna as visitas ao posto de combustível tão frequentes quanto sua vontade de explorar os recursos do novo câmbio automático.
Bônus: maciez na traseira do 408
Com as mesmas melhorias de desempenho do hatch, o Peugeot 408 finalmente ganhou um câmbio à altura de seu motor 2.0 de 151 cv — o mais potente do segmento até o ano passado, quando foi superado pelo Focus. A nova caixa "conversa" melhor com o motor, aproveitando melhor os 22,0 kgfm de torque. Mais divertido de guiar, o sedã ficou mais confortável para quem anda atrás.
Mais sutil no hatch, a maciez da nova suspensão traseira é mais perceptível no sedã, que transmite imperfeições do asfalto de maneira mais suave para quem anda atrás. Somada ao bom espaço interno, essa atualização tem potencial para dar fôlego ao modelo nas vendas. O cobertor, porém, continua curto: mesmo melhorado, o 408 ainda padece de um design mais atraente, sendo superado até pelo "irmão" Citroën C4 Lounge.
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