Logo R7.com
RecordPlus

JAC T8 chega ao Brasil para ser o melhor (e mais caro) dos chineses

Van executiva de R$ 114,9 mil disputará segmento "sem concorrentes"

Carros|Rodrigo Ribeiro, do R7, em Itu (SP)*

  • Google News
Nova JAC T8 se destaca pelos cromados na dianteira e pelo aplique preto que une os faróis aos vidros traseiros
Nova JAC T8 se destaca pelos cromados na dianteira e pelo aplique preto que une os faróis aos vidros traseiros
Alavanca de câmbio elevada facilita os engates
Alavanca de câmbio elevada facilita os engates
Bancos centrais podem girar, mas cinto não vai junto
Bancos centrais podem girar, mas cinto não vai junto

Executivos, famílias grandes e empresários: o mercado pretendido pela JAC T8 é amplo, mas, curiosamente, as empresas serão responsáveis por boa parte das vendas da van executiva, que acaba de ser lançada no Brasil por "salgados" R$ 114,9 mil. O preço faz da van o veículo chinês mais caro do País, com foco em um nicho muito restrito — o de vans feitas exclusivamente para o transporte de pessoas.

Este detalhe foi realçado inúmeras vezes por Sérgio Habib, presidente da montadora no Brasil, durante a apresentação da T8 à imprensa nesta terça-feira (11). Isso explica suas diferenças em relação à Fiat Ducato, Mercedes-Benz Sprinter e Renault Master, trio que domina o segmento e oferece versões que podem transportar tanto carga quanto passageiros. O executivo detalhou a meta da marca com o modelo.


— Nosso foco será o transporte de executivos e famílias entre aeroportos, hotéis e áreas para eventos, através do serviço de locadoras e empresas especializadas. O diferencial da T8 estará no conforto para seus ocupantes, superior ao das vans disponíveis no Brasil, com suspensão dura e motores a diesel mais ruidosos.

Mesmo sem rival direto pelos próximos anos (o Mercedes-Benz Vito deve chegar ao País apenas após o início de sua produção na Argentina, enquanto o Volkswagen Caravelle segue sem previsão de importação), a JAC T8 disputa um nicho pequeno: a marca espera vender 2 mil unidades em 2014, sendo 650 até a Copa do Mundo, grande filão.


Pacote único

A T8 será oferecida em versão única, com motor 2.0 turbo a gasolina de 175 cv de potência associado a um câmbio manual de seis marchas. A van tem capacidade para levar até sete pessoas em três fileiras de bancos — com destaque para os assentos centrais, capazes de girar 360 graus no próprio eixo. A solução seria bem-vinda para reuniões em meio ao trânsito ou longas viagens, mas a impossibilidade de se usar o cinto com os bancos virados para a traseira limita o recurso para quando o veículo estiver estacionado ou em congestionamentos pesados.


A chegada da T8 se dá quatro meses após a marca realizar com a imprensa um curto test-drive com modelos de homologação. Em relação às unidades avaliadas em 2013, o modelo que chega agora aos concessionários recebeu nova dianteira, traseira e interior reformulado.

Com um novo painel de instrumentos (à frente do motorista, em vez de central) e mais bonita, a T8 agrada no primeiro contato. A van, porém, retoma a triste tradição dos modelos chineses de pecarem nos detalhes. Da central multimídia (sem GPS) com parte dos textos em chinês ao minúsculo indicador do nível de combustível, a van ainda conta com uma lista de melhorias pendentes. E, no topo dela, está o isolamento acústico do motor.


Assobio ou assovio?

Ainda que seja mais silencioso do que seus equivalentes a diesel, o 2.0 turbo da T8 incomoda justamente quando ele mais "se empolga": na hora em que a turbina começa a ganhar pressão, a partir dos 2.700 rpm. Nessa situação, a van ganha fôlego para ultrapassagens e retomadas na mesma proporção em que o ruído de assopro típico de motores turbo invade a cabine.

A sensação é mais intensa na primeira fileira de bancos e lembra a de carros turbinados fora de fábrica — até o tradicional "espirro" do turbo ao tirar o pé do acelerador ocorre na van chinesa. O ruído extra, contudo, não se deixa notar em baixas rotações, situação em que a van também sofre um pouco para ganhar velocidade.

Com bons engates, a transmissão manual agrada pela posição da alavanca (no painel, próxima ao motorista), mas o curso da manopla poderia ser mais curto, em especial para a quinta e sexta marchas. A direção agrada em manobras e a maciez excessiva em alta velocidade — característica comum de carros chineses à venda no Brasil — aparece menos. A suspensão macia vai de encontro à proposta de transporte executivo da T8, mas o "pula-pula" mais intenso na terceira fileira incomodará quem enjoa fácil em viagens.

Evolução lenta

No papel e na pista, a JAC T8 é o melhor carro chinês do mercado, com mimos até então inexistentes entre os conterrâneos, como bancos com aquecimento e ar-condicionado de duas zonas — sendo o dianteiro digital e o traseiro com controle no teto. O acabamento também apresenta uma clara melhoria em relação à T8 testada em 2013 e a outros modelos de origem chinesa.

A van, porém, segue a toada de melhorias tímidas a cada novo carro do País oriental que chega ao País. O difícil (acabamento, suspensão, motor) já foi em boa parte superado. Porém as pequenas escorregadas ainda padecem de correção, sob pena de os modelos chineses ficarem restritos a segmentos sem concorrentes e manterem volumes de vendas inferiores aos obtidos há dois anos.

*Test-drive realizado a convite da JAC Motors do Brasil

Saiba tudo sobre carros! Acesse R7.com/carros

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.