Teste: 'quase gêmeo' do Fit, Honda WR-V mira quem não tem grana para levar um HR-V
Econômico, crossover herdou motor 1.5 flex do meio-irmão, mas vai suar para ganhar de rivais
Carros|Do R7
O que são R$ 3.000 a mais na compra de um carro que supera os R$ 80 mil? Este é praticamente o degrau que separa o recém-chegado WR-V EXL, versão topo de linha, da versão de entrada do já consagrado Honda HR-V. Veja bem: a versão inicial do primeiro versus a "completona" do segundo.
Se a resposta for "quase nada", você tem uma dúvida cruel em mãos. Mas se for mais importante ter conteúdo e conforto, aí é melhor ter um completão do que o famoso "pé de boi", independentemente do tamanho da carroceria. Para tirar um WR-V top de linha da concessionária, paga-se R$ 83.400.
A reportagem do R7 acelerou o Honda WR-V EXL, que usa o motor 1.5 flex de 116 cavalos, e pode constatar: o carro vem recheado equipamentos eletrônicos, tem espaço interno de dar inveja em alguns concorrentes e permite ao motorista enxergar tudo do alto — afinal, é uma mistura de SUV com crossover.

Traços de família
Ninguém pode negar a semelhança entre o WR-V e o Honda Fit. Os dois são muito parecidos, com a diferença que o WR-V é um pouco mais alto. Talvez por isso alguns o chamam de "crossover da Honda" ou "Fit mais altinho", apelidos dos quais a montadora asiática quer distância.
De série, o carro vem equipado com câmbio automático do tipo CVT, ar-condicionado, rodas de liga-leve de 16 polegadas, luzes diurnas de LED, airbags frontais e laterais, entre outros. A versão testada trazia ainda com painel colorido, tela multimídia de 7 polegadas, GPS e conectividade com smartphones.

Experiência ao dirigir
Quem dirige um WR-V desfruta de comodidade ao dirigir: as pernas do motorista e dos passageiros se ajustam com folga no veículo e a interação da tela multimídia com os aplicativos do celular são uma distração e uma facilidade à parte.
O veículo tem a suspensão muito bem ajustada, de forma que os impactos provocados pelos buracos do asfalto de São Paulo e até as imperfeições de uma estrada de chão são eficientemente absorvidos — poupando a coluna e o humor de quem está dentro do carro.
O motorista tem a vantagem de colocar o banco em posição mais elevada, o que permite praticamente enxergar o capô como um todo. Sob os olhos do condutor, o painel colorido, a central multimídia touch screen e o acabamento de boa qualidade são destaques.
Até a saída de ar, na altura da mão esquerda do motorista, foi pensada com outro propósito: ela ajuda a resfriar qualquer bebida colocada ali com o ar-condicionado ligado.
Em movimento, o câmbio automático CVT dá férias à perna esquerda, que pode ficar esticada no apoio de pé. Como é característico das transmissão continuamente variáveis, demora a embalar o carros nas acelerações e retomadas, subindo muito os giros.
Por outro lado, proporciona maior economia de combustível, inclusive na cidade, mantendo o motor com giro baixo. Para completar, o carro é relativamente leve (1.130 kg na versão EXL). Então, na prática, é acelerar e ser correspondido. O WR-V vai bem.

Nota 10?
O design é sempre algo subjetivo, e Honda WR-V pode agradar alguns e desagradar outros. Quase gêmeo do Fit, tem a traseira um tanto estranha à primeira vista. Faz parte do novo padrão de design da marca e lembra, de longe, a traseira do Honda Civic, com suas lanternas em bumerangue. A acústica também não ajuda muito: dá para ouvir bem o motor funcionando, sobretudo quando se acelera mais forte.
Além disso, o principal ponto de exclamação: o preço. O WR-V estreou no Brasil em duas versões: o EX, por R$ 79.400, e o EXL, por R$ 83.400. O mercado esperava o veículo um pouco abaixo dos R$ 80 mil, uma vez que o WR-V tem concorrentes de peso pela frente: Ford Ecosport e Renault Duster, por exemplo.
Para ganhar mercado diante destes dois rivais, a estratégia da Honda considera fortemente o gosto o brasileiro, afinal, "carro japonês não quebra" e "Honda é Honda". Só o tempo vai dizer se o mini-SUV vai realmente decolar nas vendas e garantir, com o irmão mais velho HR-V, a dobradinha da montadora japonesa no ranking de vendas da categoria. Será?
Lançado em março deste ano, o Honda WR-V é o sucessor do antigo Fit Twist, porém com um toque de SUV
Lançado em março deste ano, o Honda WR-V é o sucessor do antigo Fit Twist, porém com um toque de SUV
FICHA TÉCNICA
Honda WR-V EXL 1.5 flex CVT
Motor: 1.5 16V i-VTEC, comando variável, flex
Potência: 115 cv (G) e 116 cv (E) a 6.000 rpm
Torque: 15,2 kgfm (G) e 15,3 kgfm (E) a 4.800 rpm
Câmbio: Automático CVT (continuamente variável)
Direção: Assistência elétrica progressiva; tração dianteira (4x2)
Suspensão: McPherson na dianteira, eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira, tambores na traseira
Pneus e rodas: 195/60 R16
Dimensões: 4 m (comp), 1,73 m (largura), 1,6 m (alt), 2,55 m (entre-eixos)
Peso: 1.130 kg (ordem de marcha)
Capacidade do porta-malas: 363 litros
Tanque de combustível: 45,7 litros
Principais equipamentos: ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, faróis de neblina, rodas de liga leve aro 16, airbags frontais, laterais e do tipo cortina, freios com ABS e EBD, LEDs diurnos (DLR), Isofix para cadeirinhas infantis, volante multifuncional revestido em couro com ajustes de altura e profundidade, controle de cruzeiro, computador de bordo, apoios de cabeça e cintos de três pontos para todos os passageiros, sistema modular dos bancos traseiros, chave canivete e central multimídia com tela de sete polegadas sensível ao toque, duas entradas USB, Bluetooth, navegador GPS e câmera de ré integrada.
Preço sugerido: R$ 83.400
Garantia: 3 anos (sem limite de quilometragem)
VEJA TAMBÉM
Vídeo: Hyundai Creta encara Jeep Renegade e Honda HR-V




































