Vendedora visionária vira 'rainha' da troca de óleo
Paulistana percebeu demanda por óleos e lubrificantes nos anos 80 e construiu rede familiar
Carros|Do R7


A indústria automobilística viveu um período rico na década de 80. Compactos populares, como Volkswagen Gol e Fiat Uno, chegavam às lojas e o automóvel começava a se tornar um sonho possível. Ao mesmo tempo, a demanda por veículos pesados, para transporte de cargas e passageiros, também crescia impulsionado pelo progresso do País. Foi justamente nesta época que a paulistana Alânia Miranda Machado de Melo teve uma visão: havia poucos revendedores e centros de troca de óleo e lubrificantes nos grandes centros, como São Paulo.
Foi então que, ainda vendedora de um TRR (Transportador Revendedor de Combustível), Alânia propôs ao patrão trabalhar com lubrificantes e óleos. Preterida de início, a moça obteve aprovação e começou, assim, um negócio que só prosperou. Grávida do segundo filho, Alânia deixou a empresa de combustíveis e se aliou ao genro para criar uma rede especializada em ditribuição e troca de óleo em Mauá, no interior de São Paulo. Hoje, são mais de 80 funcionários e quatro lojas que atendem automóveis e comerciais de todos os tipos.
Confira abaixo um bate-papo com cinco perguntas para Alânia de Melo:
Por que lubrificantes? De onde surgiu essa ideia?
Em 1986 eu me lembro de pedir ao meu chefe para trabalhar com lubrificantes e óleos, mas ele simplesmente não tinha interesse. Sabia que era um consumo obrigatório para todos os tipos de veículos. Por isso, insisti na ideia, pedi voto de confiança, levei o produto... Aí o dono autorizou a operação e deu certo.
Quando abriu seu próprio negócio, existia preconceito com mulheres?
O início foi bem difícil, tinhamos apenas oito baldes de troca de óleo, abri uma representação logo após engravidar do meu segundo filho. Tinha muito preconceito no ramo com mulheres, mas por ter trabalhado com combustpível, sempre fui respeitada. Na época, frequentava convenções com 400 pessoas e apenas 3 mulheres.
Você era vendedora, como se tornou especializou em troca de óleo?
Busquei conhecimentos no próprio mercado, procurei conhecer a prática do ofício, abrindo carros, caminhões, observando os filtros até conhecer bem todo o processo. Ganhei muita experiência com a Shell, que era fortíssima no nicho. E a Castrol meu deu treinamento na época de "bandeirar" minha loja.
Como uma visionária, você teme fim dos óleos e lubrificantes nos carros?
Nós precisamos estar preparados para mudanças, mas isso ainda vai demorar bastante. No futuro, teremos lubrificantes que dispensarão a troca, por exemplo. Mas não me preocupo, pois ainda está longe e podemos nos adaptar ao mercado. Como o proprio lubrificante vai mudar, as companhias direcionam os parceiros.
Você põe a mão na massa literalmente todos os dias?
Meu negócio foi feito em família, com filha e genro. Os dois estão comigo desde o início e ficamos todos no balcão, em contato direto com os clientes. Não cobramos pelo serviço, apenas revendemos os óleos e lubrificantes. Somos atacadistas e varejistas. Isso facilita muito, e as pessoas que me conhecem, confiam. Sinto-me realizada.
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