Abratel cobra urgência em apuração de sequestro de jornalista de RR
Em nota, associação diz que considera 'ato inadmissível e que se posicionará sempre a favor da liberdade imprensa e de expressão'
Cidades|Do R7

A Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) pediu, na manhã desta terça-feira (27), urgência na apuração do sequestro do jornalista Romano dos Anjos, apresentador da TV Imprerial, afiliada da Record TV, em Roraima. Ele foi sequestrado na segunda-feira (26) e encontrado nesta manhã com os braços quebrados.
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A associação também manifestou repúdio em relação às agressões e ameaças sofridas por ele e sua esposa, a também Nattacha Vasconcelos. Romano dos Anjos, teve a casa invadida, na segunda-feira, foi feito refém ao lado da mulher.
Romano foi levado junto com o próprio veículo para a região da BR-174, uma das principais rodovias da cidade de Boa Vista, capital do estado. O carro foi encontrado em chamas. O jornalista foi localizado amarrado em uma árvore com ferimentos leves.
Romano dos Anjos está à frente do programa policial Mete Bronca há 6 anos, o programa mais antigo da TV Imperial. O apresentador vinha, nos últimos dias, denunciando, por meio de reportagens, desvios de verba envolvendo políticos locais no uso da verba destinada ao combate da Covid-19.
"A Abratel considera este tipo de ato inadmissível e se posiciona e se posicionará sempre a favor da liberdade imprensa e de expressão. A Associação se solidariza com os jornalistas agredidos e solicita que os fatos sejam apurados com rigor pelas autoridades policiais e que todos os envolvidos sejam, devidamente, responsabilizados e punidos", declarou por meio de nota.
Detalhes do sequestro e resgate
De acordo com a TV Imperial, Romano dos Anjos foi localizado na região do Bointento e foi encaminhado para o pronto socorro para receber os primeiros atendimentos.
Equipes da Polícia Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros fizeram buscas, na manhã desta terça-feira (27), nas proximidades da BR-174, para encontrar Romano dos Anjos Apresentador do Mete Bronca, da TV Imperial.
As buscas ocorreram na região do rio Cauamé, próximo à BR-174, local onde o veículo do jornalista foi deixado pelos suspeitos. O Fiat Mobi foi encontrado em chamas, por volta de 22h, à margem da rodovia, sem o jornalista. O fogo foi controlado pelo Corpo de Bombeiros e a perícia foi acionada no local.
De acordo com a diretora de jornalismo da emissora, Leiliane Matos, a esposa do apresentador Nattacha Vasconcelos afirmou que os suspeitos xingaram o casal no momento do sequestro e tinham armas em punho.
Os suspeitos teriam gritado, ordenando ao casal que entregasse quantias em dinheiro. Os homens também teriam perguntado sobre cofres e quando o casal respondeu que não tinha dinheiro afirmaram que levariam o veículo e a televisão. Nesse momento, teriam desligados as luzes da residência.
Segundo relatos, os suspeitos levaram os celulares do casal para evitar comunicação entre eles. A casa foi invadida por criminosos encapuzados, por volta de 20h30. Ambos foram feitos reféns. A esposa do jornalista foi amarrada e deixada no local. Ela está abalada com o ocorrido, mas passa bem.
A Polícia Militar de Roraima acompanhou o caso e fechou as saídas da cidade desde a noite de ontem. Segundo a diretora de jornalismo, o apresentador não relatou ter recebido ameaças nos últimos dias. Recentemente, Romano dos Anjos vinha noticiando casos de corrupção envolvendo políticos locais e desvio de recursos federais para o combate à covid-19.
Indignação e preocupação
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Roraima (Sinjoper) manifestaram indignação e preocupação com o sequestro do jornalista. FENAJ e Sinjoper pediram máximo empenho das forças de segurança do Estado para que o jornalista seja encontrado e resgatado em segurança.
FENAJ e Sinjoper exigem esforço máximo do governo de Roraima, por meio de sua Secretaria de Segurança, das polícias Civil e Militar, ao mesmo tempo em que pedem o apoio de toda a sociedade de Roraima para que o caso seja resolvido e o jornalista retome sua rotina em casa e no trabalho.
"É preciso que toda a sociedade diga não à violência contra jornalistas, que é sempre um atentado à liberdade de imprensa e ao direito cidadão à informação", afirmaram os órgãos por meio de nota.















