Análise: periferias possuem menor capacidade de resposta a eventos extremos
Falta de medidas de adaptação resultou no desastre visto em Juiz de Fora (MG)
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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As áreas urbanas localizadas em regiões de risco aumentaram mais do que a urbanização no Brasil ao longo das últimas quatro décadas. Essas áreas representam um alto risco de deslizamento, e Minas Gerais é o estado que possui maior área urbanizada em localidades com alta declividade, sendo Juiz de Fora a terceira cidade com mais regiões nessas condições no país.
Em entrevista ao Hora News desta quarta-feira (4), o coordenador de mapeamento de áreas urbanizadas do MapBiomas, Julio Pedrassoli, fala que a maior parte da ocupação dessas áreas, que possuem alto risco de deslizamento, se dá pela periferização das grandes cidades.
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“Mais do que esse crescimento ser em si assustador, é que a maior parte dele está associada à comunidade e à parte da cidade, que tem uma menor capacidade de resposta no caso de um evento extremo, como foi esse que aconteceu recentemente em Juiz de Fora”.
Juiz de Fora só fica atrás das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro quando o assunto são a alta declividade das regiões, ultrapassando Belo Horizonte. Isso é preocupante porque, na comparação com as grandes cidades, a mineira é muito menor em população.
Além disso, o planejamento de ocupação de Juiz de Fora não teve eficiência para evitar esse tipo de evento climático. “Já é uma questão sabida de que o relevo é bastante inclinado. Tem muitos mapeamentos de risco ali, tanto é que nós temos aqui muita informação sobre essa área. Também é sabido que existe uma grande incidência de chuva concentrada numa determinada época do ano”.

Pedrassoli afirma que as mudanças climáticas aumentaram ainda mais a frequência dessas chuvas e que, para solucionar o problema, duas estratégias precisam ser empregadas: a adaptação e a mitigação. Uma ação consiste em evitar o desastre por meio do plantio de árvores, a não canalização dos rios e medidas preventivas.
Para ele, a remoção de casas e a retirada das pessoas de suas moradias devem ser a última opção. “Existem áreas em que, infelizmente, há necessidade de remoção das casas. [...] O que deve ser sempre a última alternativa, porque retirar as pessoas que moram nessas áreas é um custo muito alto. Não só financeiramente, você tem a vida construída ali. São relações de trabalho e sociais”.
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