Aumento histórico da violência explica preocupação do brasileiro segurança pública
Especialistas analisam ranking global de atenção da população para a pauta, em momento que Congresso discute PL Antifacção
Cidades|Luiza Marinho* e Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mais de 45% dos brasileiros têm como maior preocupação a segurança pública no país. Os dados são do estudo ESG Global Market Research, que apurou que o país abriga a população mais preocupada com o tema.
A média nacional é 23 pontos percentuais acima da global. Não à toa, neste momento o congresso discute o projeto de lei antifacção.
Para a pesquisa, foram entrevistadas 7.298 pessoas em 13 países. A corrupção parece tomar conta das cabeças ao redor do globo, sendo a maior preocupação nos Estados Unidos, Canadá, China, Alemanha e França. No Brasil, no entanto, fica em quarto lugar, citada por 35% dos entrevistados.
Entre as pautas menos pensadas pelos brasileiros, estão a desigualdade de gênero (4%), emissões de CO2 (4%) e a ética nas empresas (3%).
Segundo especialistas ouvidos pelo R7, a preocupação sobre o tema ter aumentado se deve a sensação contínua de vulnerabilidade nas cidades e o aumento de violência ao decorrer dos anos.
Números baixos, preocupação maior
Berlinque Cantelmo, advogado especialista em segurança pública e sócio do RCA Advogados, analisa que existe uma sensação subjetiva de insegurança que se mantém elevada ao longo dos anos. Isso mesmo em períodos em que alguns indicadores caem, a percepção da população não acompanha essa melhora.
“Isso acontece porque o país convive historicamente com taxas altas de homicídios, crimes violentos e presença do crime organizado em áreas vulneráveis, o que faz com que a insegurança esteja próxima do cotidiano das pessoas.”
Além disso, ele ressalta outros pontos como a desigualdade social.
“Soma-se a isso a desigualdade social, a falta de presença do Estado em determinados territórios e a percepção de impunidade decorrente de investigações lentas, baixa taxa de resolução de crimes e problemas estruturais no sistema prisional, além da visibilidade midiática de casos graves e do uso político do tema, que reforçam o medo social e ampliam a sensação de risco”, pontua.
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De acordo com Ilmar Muniz, advogado penal e constitucional a crescente de organizações criminosas e a percepção de que o Estado não consegue responder com a velocidade e eficiência necessárias também explicam o dado.
“A pauta da segurança pública no Brasil evoluiu a partir do crescimento da violência nas décadas passadas, passou por fases de foco apenas repressivo e, mais recentemente, incorporou debates sobre prevenção, tecnologia, inteligência policial e integração entre forças de segurança.“
Integração de sistemas
No Brasil, os principais mecanismos de segurança pública estão distribuídos entre diferentes níveis de governo, os estados são responsáveis pela Polícia Militar, que realiza o policiamento de flagrante, e pela Polícia Civil, que cuida da investigação criminal.
A União atua por meio da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança, acionada em situações excepcionais. Os municípios, por sua vez, possuem as Guardas Municipais, que exercem funções de proteção local e podem apoiar ações preventivas.
Além desses órgãos, o sistema envolve o Ministério Público, o Judiciário, o sistema penitenciário, as secretarias de segurança pública e estruturas de comando e controle baseadas em tecnologia e inteligência.
Para Cantelmo, a maior questão de segurança pública no país é a dificuldade de integrar todos esses sistemas em ações que sejam mais efetivas.
“O grande desafio do país é integrar esses atores, superar a fragmentação entre os níveis federativos e equilibrar ações imediatas com políticas de longo prazo capazes de reduzir fatores estruturais de violência”, finaliza.
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