Avó de Bernardo conta que relacionamento com genro era difícil e que não concordava com casamento da filha
Ela foi ouvida pela Justiça de Santa Maria em processo que trata da morte do neto de 11 anos
Cidades|Do R7, com Rede Record
A avó materna de Bernardo Boldrini, menino morto em abril deste ano, foi ouvida pela Justiça de Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, na manhã desta quinta-feira (30). O depoimento estava marcado para o dia 16 de outubro, mas foi adiado por problemas cardíacos. Jussara Uglione, de 74 anos, saiu do hospital na quarta-feira (29). A audiência começou por volta das 9h45 e durou cerca de uma hora. Ao chegar ao fórum, chamou a atenção pela aparência debilitada.

O pai do menino, o médico Leandro Boldrini, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz estão presos acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O médico ainda é apontado com o mentor do crime ao lado da mulher e também responde por falsidade ideológica.
No depoimento, Jussara contou que não concordava com o casamento da filha com o médico Leandro Boldrini.
— Nunca gostei, nunca concordei com este namoro. Sempre tinha uma distância entre nós. Pai não se engana.
Jussara disse ainda que tinha uma relação difícil com o genro. Ela lembrou de uma vez, antes da morte da filha, em que foi visitar o casal na clínica e o médico teria dado um chute no tornozelo dela quando levantou para buscar água.
— O Leandro não era educado, faltava com respeito, era uma pessoa muito esquisita, tentava se esquivar e era muito genioso.
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Ela voltou a afirmar que a filha não cometeu suicídio. Odilaine Uglione Boldrini, mãe de Bernardo, morreu em 2010 com um tiro na cabeça. O advogado de Jussara, Marlon Taborda, já entrou com um pedido de reabertura do caso. Esta é a terceira vez que ele tenta reabrir o caso.
Jussara Uglione disse ainda que o genro é frio, calculista e que usava drogas. Ela também contou que ele foi ao velório da filha com um colete à prova de balas, "porque era desconfiado de tudo". Por uma estratégia da defesa, o advogado de Leandro Boldrini não quis se manifestar.
A avó de Bernardo é das 25 pessoas arroladas pelo MP (Ministério Público) no processo sobre a morte do menino que tramita na Comarca de Três Passos. As audiências seguem sendo públicas e com o acesso da imprensa mantido. Inquiridas todas as testemunhas arroladas pela acusação, serão marcadas as audiências para ouvir as 52 indicadas pelas defesas dos réus. Ao todo, 77 pessoas foram incluídas como testemunhas no processo.
Relembre o caso
Bernardo Uglioni Boldrini, de 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, em Três Passos. Seu corpo foi encontrado dez dias depois em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico. O cadáver estava enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.
A Polícia Civil sustenta a tese de que Graciele e Edelvânia executaram o homicídio usando doses do medicamento Midazolan — a madrasta porque entendia que o menino era um “estorvo” para o relacionamento entre ela e Leandro Boldrini, e Edelvânia em troca de dinheiro, para comprar um apartamento.
Ainda segundo o inquérito, Boldrini também teve participação na morte fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul. Já Evandro se tornou o quarto réu do caso, pela suspeita de ter ajudado a fazer a cova onde o corpo do menino foi enterrado.
Padrasto de acusada presta depoimento em fórum. Relembre:















